Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 846
Médicos Sem Fronteiras decidiu não repassar dados de seus funcionários a Israel após meses de tratativas, em cenário de falta de segurança e autonomia operacional impostas às ONGs que atuam em Gaza.
MSF se recusa a entregar informações de funcionários a Israel
A Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou em 30 de janeiro que não entregará os dados pessoais de seus funcionários a Israel, semanas depois de Tel Aviv ter proibido dezenas de organizações de ajuda humanitária de operar em Gaza por não cumprirem essa exigência.
“Após muitos meses de tentativas malsucedidas de diálogo com as autoridades israelenses, e na ausência de garantias que assegurem a segurança de nossos funcionários ou a gestão independente de nossas operações, a MSF concluiu que não compartilhará, nas circunstâncias atuais, uma lista de seus funcionários palestinos e internacionais com as autoridades israelenses”, afirmou a organização em comunicado.
“Em março de 2025, Israel anunciou que as organizações que buscam registro seriam obrigadas a fornecer dados pessoais sobre seus funcionários. Desde o início, a MSF expressou sérias preocupações em relação a essa exigência… No entanto, em um esforço para explorar todas as opções possíveis, por mais limitadas que fossem, para continuar fornecendo cuidados médicos críticos, a MSF informou às autoridades israelenses que, como medida excepcional, estaria disposta a compartilhar uma lista definida… Contudo… tornou-se evidente nos últimos dias que não conseguimos construir um diálogo efetivo com as autoridades israelenses”, acrescentou.
A ONG afirmou que não conseguiu obter garantias para a “segurança” de seus funcionários.
A MSF prosseguiu dizendo que sua expulsão de Gaza e da Cisjordânia ocupada “teria um impacto devastador, à medida que os palestinos enfrentam um inverno brutal em meio a casas destruídas e necessidades humanitárias urgentes”.
O renomado cirurgião britânico-palestino Ghassan Abu Sitta, que atuou como voluntário em Gaza durante o genocídio, vinha alertando a MSF e outras organizações para que não cedessem às exigências israelenses.
O Dr. Abu Sitta criticou duramente a tentativa anterior da MSF de dialogar com Tel Aviv e oferecer uma lista “definida” para apaziguar as autoridades israelenses. Na época, a MSF afirmou que priorizaria a segurança de seus funcionários.
“O que a liderança da MSF precisa entender é que o aparato de segurança israelense começará pedindo informações que já possui (listas de funcionários) e, uma vez que você ceda, pedirá listas reduzidas de candidatos a emprego; depois insistirá em colocar alguns desses candidatos em listas negras; em seguida, pedirá listas e detalhes de pacientes e beneficiários e, então, colocará alguns pacientes em listas negras, impedindo-os de receber tratamento”, disse ele em 27 de janeiro.
Ele também forneceu depoimentos de funcionários da MSF que temiam por sua segurança. Durante o genocídio, mais de uma dúzia de trabalhadores da MSF foram mortos por ataques israelenses.
No final de dezembro de 2025, Israel anunciou a suspensão de mais de três dezenas de grupos humanitários que atuavam em Gaza, citando o não cumprimento da exigência de entrega dos dados pessoais de seus funcionários.
A lista inclui algumas das mais proeminentes organizações internacionais, como MSF, Action Aid e Defense for Children International.
“A mensagem é clara: a assistência humanitária é bem-vinda — a exploração de estruturas humanitárias para o terrorismo não é”, afirmou na ocasião o ministro israelense da Diáspora, Amichai Chikli.
A suspensão e expulsão dos grupos de ajuda de Gaza devem entrar em vigor em 1º de março de 2026.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 novos mártires, 1 mártir resgatado dos escombros e 6 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
- Total de mártires: 492
- Total de feridos: 1.356
- Total de corpos recuperados: 715
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 71.667 mártires e 171.343 feridos desde 7 de outubro de 2023.