Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 855

Greve dos trabalhadores portuários paralisou 20 portos no Mediterrâneo contra o genocídio em Gaza e a privatização e militarização dos portos, reafirmando os laços com a Palestina e a luta por trabalho digno.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 855
Reprodução: Laura Lezza / Waging Nonviolence.

Greve nos portos do Mediterrâneo por solidariedade à Palestina

Trabalhadores portuários de todo o Mar Mediterrâneo realizaram uma grande greve em 6 de fevereiro, paralisando as atividades em mais de 20 portos para protestar contra o genocídio israelense dos palestinos em Gaza e contra a privatização e a militarização da infraestrutura portuária.

Organizadores sindicais descreveram a ação como resultado de uma solidariedade histórica dos trabalhadores portuários com a Palestina e de sua própria luta por condições de trabalho dignas em seus países.

Antes da greve, navios que “transportam regularmente carga militar para Israel” alteraram seus itinerários.

Manifestações começaram em portos da Grécia, da Turquia e do País Basco, onde o sindicato Liman-İş Sendikası reuniu centenas de membros para levar uma mensagem “contra o genocídio e em solidariedade à Palestina”.

Na Grécia, os trabalhadores portuários destacaram a contradição entre o forte investimento europeu em rearmamento e as medidas de austeridade que cortam serviços públicos, o que, segundo eles, comprometeu as condições de segurança.

“Não aceitaremos trabalho sem direitos”, disse Damianos Voudigaris, do sindicato grego ENEDEP. “Desenvolvimento deveria significar voltar para casa vivo. Portos são locais de trabalho, não de guerra. São lugares de suor, não de sangue.”

A Itália registrou algumas das maiores mobilizações do dia, com greves coordenadas em mais de uma dúzia de portos, envolvendo trabalhadores portuários, funcionários dos portos, estudantes e membros do público.

A Unione Sindacale di Base (USB) informou a partir de todos os portos em greve, com assembleias exibindo bandeiras palestinas e cubanas.

Representantes da USB argumentaram que o movimento trabalhista europeu precisa adotar uma orientação internacionalista para enfrentar a agenda da União Europeia e de governos de direita, incluindo o da primeira-ministra Giorgia Meloni.

Trabalhadores portuários de Trieste alertaram contra a privatização, enquanto participantes em Bari e Ravenna disseram que a infraestrutura portuária vinha sendo usada, “às vezes de forma encoberta”, para transportar materiais militares e de uso duplo para Israel.

Em Gênova, membros do coletivo CALP lideraram uma das maiores manifestações do dia, declarando: “Prometemos bloquear tudo – e bloqueamos tudo. Prometemos uma greve geral – e tivemos uma greve geral. Prometemos uma greve internacional – e aqui estamos.”

Os grevistas disseram que a mobilização foi apenas o começo, afirmando: “Hoje são os portos, amanhã será todo o setor logístico, e depois serão todos os trabalhadores.”

A Federação Sindical Mundial endossou a mobilização com uma declaração de solidariedade e adotou a faixa oficial com os dizeres: “Trabalhadores Portuários Não Trabalham para a Guerra”.

A greve massiva ocorreu um dia após a Flotilha Global Sumud anunciar uma nova missão civil de ajuda humanitária para Gaza, com partida prevista para 29 de março. Os organizadores detalharam uma nova viagem marítima iniciando em Barcelona e passando por diversos portos do Mediterrâneo, além de comboios terrestres paralelos em direção à passagem de fronteira de Rafah.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 novos mártires e 25 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 576

• Total de feridos: 1.543

• Total de corpos recuperados: 717

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.027 mártires e 171.651 feridos desde 7 de outubro de 2023.