Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 862
Autoridades israelenses barraram fotojornalista italiano por suas reportagens “contra Israel” e por chamar a ocupação da Cisjordânia de “apartheid”. Ele foi detido na passagem de Karama e teve o visto revogado.
Israel proíbe entrada de jornalista italiano por reportagens críticas
As autoridades da ocupação impediram o fotojornalista freelancer italiano Alessandro Stefanelli de entrar no país, acusando-o de realizar reportagens “unilateralmente contra Israel” e de descrever as violações cometidas por Israel na Cisjordânia ocupada como “apartheid”, informou o Haaretz em 12 de fevereiro.
Stefanelli foi detido por cinco horas na passagem de Karama, entre a Jordânia e a Cisjordânia, em janeiro, antes de receber uma notificação formal da proibição.
Seu visto digital já havia sido revogado em julho do ano passado, sem explicação da Embaixada de Israel em Roma, apesar de o jornalista já ter visitado Israel em 15 ocasiões distintas anteriormente e possuir carteira de imprensa emitida pelo governo.
Stefanelli trabalhou para grandes e respeitadas publicações como The New Yorker, Bloomberg, El País e La Repubblica, documentando o impacto da ocupação sobre palestinos na Cisjordânia e comunidades beduínas no Negev.
O Sindicato Nacional de Jornalistas do Reino Unido condenou a proibição, descrevendo a cobertura independente sobre Gaza como “uma questão de interesse público global”, enquanto jornalistas palestinos argumentam que tais restrições visam controlar a narrativa da guerra e da ocupação em curso.
Outros cidadãos italianos críticos a Israel, incluindo a relatora especial da ONU Francesca Albanese e ativistas da Flotilha de Gaza, também foram declarados persona non grata.
A proibição do acesso da imprensa estrangeira a Gaza permanece firmemente em vigor, apesar de repetidas contestações legais apresentadas pela Associação de Imprensa Estrangeira (FPA) perante a Suprema Corte de Israel.
Há mais de dois anos, o tribunal concedeu ao governo israelense múltiplas prorrogações, recusando-se a emitir uma decisão enquanto permite que o Estado invoque preocupações de “segurança” não especificadas para justificar a manutenção do bloqueio.
Advogados do governo israelense argumentaram que a entrada de jornalistas representa riscos tanto para os repórteres quanto para as forças militares, mesmo durante um cessar-fogo.
Os procedimentos no caso perante a Suprema Corte de Israel incluíram sessões a portas fechadas das quais representantes da FPA foram excluídos, e o tribunal adiou repetidamente a emissão de uma decisão final.
A FPA, que representa centenas de correspondentes estrangeiros, expressou “profunda decepção” com a recusa do governo em suspender a proibição e prometeu novas medidas legais, enquanto jornalistas estrangeiros continuam impedidos de entrar em Gaza de forma independente e só podem fazê-lo se estiverem incorporados ao exército israelense.
Sindicatos de imprensa alertam que as restrições deixam jornalistas palestinos como as únicas testemunhas dentro de Gaza, onde centenas de profissionais da mídia foram mortos desde outubro de 2023, tornando o território um dos lugares mais letais do mundo para exercer o jornalismo.
A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) declarou Israel o “pior inimigo dos jornalistas”, relatando que 43% de todos os jornalistas mortos no mundo entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025 foram mortos por forças israelenses em Gaza, e que quase 300 profissionais da mídia foram mortos desde o início do genocídio de palestinos por Israel, tornando-o o país mais letal para repórteres por três anos consecutivos.
As conclusões seguem revelações do jornalista israelense Yuval Abraham de que a inteligência militar formou uma chamada “Célula de Legitimação”, encarregada de encontrar material para retratar jornalistas palestinos como operativos do Hamas a fim de justificar sua morte — alegações que intensificam ainda mais o escrutínio sobre a contínua proibição de acesso independente da mídia estrangeira a Gaza.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 novos mártires e 25 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 576
• Total de feridos: 1.543
• Total de corpos recuperados: 717
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.027 mártires e 171.651 feridos desde 7 de outubro de 2023.