Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 866

Donald Trump presidiu a 1ª reunião do “Conselho da Paz”, declarou que “a guerra em Gaza acabou” e anunciou que bilhões de dólares haviam sido arrecadados para um fundo de reconstrução da Faixa de Gaza.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 866
Reprodução: Markus Schreiber / AP.

Trump preside primeira reunião do “Conselho da Paz” e afirma que “guerra em Gaza acabou”

O presidente dos EUA, Donald Trump, presidiu a primeira reunião de seu “Conselho da Paz” em 19 de fevereiro, afirmando que “a guerra em Gaza acabou” e anunciando que bilhões de dólares haviam sido arrecadados para um fundo de reconstrução de Gaza.

Trump disse, durante seu discurso na reunião inaugural, que governos apoiadores arrecadaram US$ 7 bilhões como pagamento inicial para a reconstrução de Gaza, a serem seguidos por uma contribuição dos EUA de US$ 10 bilhões.

“Este pode ser um dos dias mais importantes de nossas carreiras”, afirmou Trump, acrescentando: “Vamos colocar Gaza nos trilhos. Vamos tornar Gaza muito próspera e segura.”

Trump propôs pela primeira vez o conselho em setembro passado, quando anunciou seu plano para um cessar-fogo em Gaza. Posteriormente, deixou claro que o conselho buscaria resolver outros conflitos ao redor do mundo.

Embora Trump tenha afirmado que a guerra de Israel em Gaza chegou ao fim, as forças israelenses continuam a bombardear a faixa “quase diariamente”, matando pelo menos 600 palestinos desde que o chamado cessar-fogo entrou em vigor em outubro de 2025.

Apesar de alegar ser um pacificador, Trump apoiou o genocídio de Israel contra os palestinos em Gaza ao fornecer grandes quantidades de armas. Ele também bombardeou Venezuela, Nigéria, Síria, Iraque, Somália e Irã desde que retornou ao cargo há um ano.

Atualmente, ele está concentrando forças dos EUA na Ásia Ocidental em preparação para um possível segundo ataque, ainda maior, contra o Irã.

O Conselho da Paz inclui Israel, mas não representantes palestinos, sugerindo que Israel ditará o futuro de Gaza após cometer um genocídio contra seus habitantes palestinos.

Israel busca realizar uma limpeza étnica da faixa, removendo palestinos muçulmanos e cristãos, e assentá-la com israelenses judeus.

A sugestão de Trump de que o conselho poderia eventualmente tratar de desafios além de Gaza também gerou temores de que possa enfraquecer a Organização das Nações Unidas (ONU), que tem apoiado a causa palestina, como principal plataforma de diplomacia global e resolução de conflitos.

“Vamos fortalecer as Nações Unidas”, afirmou Trump em resposta às críticas. “É realmente muito importante.”

A reunião contou com delegações de Estados da Ásia Ocidental, incluindo Israel, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Turquia, Jordânia e Qatar.

O Reino Unido, a Itália e a Alemanha enviaram representantes e observadores à reunião, mas recusaram um convite formal para integrar o conselho.

A França rejeitou o convite para integrar o conselho e não enviou representante à reunião inaugural, afirmando que Trump buscava usurpar o papel da ONU e obter amplos poderes além da governança transitória de Gaza.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, optou por não comparecer à reunião, enviando em seu lugar o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar.

O evento teve clima de comício de campanha de Trump, com organizadores tocando músicas altas de Elvis Presley e dos The Beach Boys e distribuindo os característicos bonés vermelhos de Trump.

Durante a reunião, foi anunciado que Indonésia, Marrocos, Cazaquistão, Kosovo e Albânia haviam se comprometido a enviar tropas para servir na Força Internacional de Estabilização (ISF), enquanto Egito e Jordânia se comprometeram a treinar uma força policial local.

Outras nações relutaram em enviar forças à ISF, afirmando que não desejam que suas tropas participem da morte de palestinos em um esforço para desarmar o Hamas.

Trump disse esperar que o uso da força para desarmar o Hamas não seja necessário. Segundo ele, o grupo prometeu se desarmar e “parece que eles vão fazer isso, mas teremos que descobrir”.

Em meio às promessas de Trump de reconstruir Gaza, pouco mudou no terreno, já que Israel continua a bombardear a faixa e a bloquear a chegada de ajuda humanitária.

“Israel continua a avançar sobre o território de Gaza, com a linha amarela indo cada vez mais para o oeste. Pessoas continuam sendo mortas, prédios continuam sendo demolidos”, afirmou Sam Rose, diretor interino para Gaza da agência de assistência da ONU, UNRWA.

“Parece que acabamos caindo em um padrão de administrar o conflito, ou administrar o pós-conflito, de uma maneira que nunca imaginamos que aconteceria”, acrescentou.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 novos mártires e 25 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 576

• Total de feridos: 1.543

• Total de corpos recuperados: 717

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.027 mártires e 171.651 feridos desde 7 de outubro de 2023.