Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 897

Trump ameaça atacar usinas do Irã se o país não reabrir o Estreito de Ormuz em 48 horas, após bloqueio a navios em meio à guerra iniciada em fevereiro, que já afeta o transporte e o seguro marítimo no Golfo Pérsico.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 897
Reprodução: Mark Schiefelbein/AP

Trump dá 48 horas ao Irã para reabrir Ormuz e ameaça bombardear usinas de energia

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou em 22 de março atacar usinas de energia do Irã caso a República Islâmica não permita a livre passagem de embarcações ocidentais pelo Estreito de Ormuz dentro de 48 horas.

“Se o Irã não ABRIR TOTALMENTE, SEM AMEAÇA, o Estreito de Ormuz dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América irão atingir e obliterar suas diversas USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR PRIMEIRO”, escreveu Trump em sua plataforma de mídia social, Truth Social, na noite de sábado.

Após os EUA e Israel iniciarem a guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou que fecharia o estreito para embarcações ligadas a “nações agressoras”, enquanto seguradoras marítimas no Reino Unido e em Nova York cancelaram a cobertura de risco de guerra para navios operando no Golfo Pérsico.

O fechamento de Ormuz levou a produção de petróleo do Golfo a quase parar completamente, elevando drasticamente os preços do petróleo em todo o mundo, especialmente na Ásia.

O presidente Trump está sob pressão para garantir a segurança dessa rota marítima vital para embarcações ligadas ao Ocidente, enquanto o Irã continua exportando seu próprio petróleo em petroleiros através do estreito.

No domingo, o representante do Irã na agência marítima da ONU afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto a toda navegação, exceto embarcações ligadas aos “inimigos do Irã”.

Após a ameaça de Trump, o exército iraniano afirmou que irá atacar toda a infraestrutura energética pertencente aos EUA na região caso a infraestrutura de combustível e energia do Irã seja atingida.

“Após avisos anteriores, caso a infraestrutura de combustível e energia do Irã seja violada pelo inimigo, toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização pertencente aos EUA e ao regime [israelense] na região será alvo”, declarou um porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya das Forças Armadas iranianas.

Além disso, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, publicou no X: “Imediatamente após qualquer ataque a usinas de energia e infraestrutura em nosso país, infraestruturas vitais, bem como infraestrutura energética e petrolífera em toda a região, serão consideradas alvos legítimos e serão destruídas de forma irreversível, e os preços do petróleo permanecerão elevados por muito tempo.”

Enquanto isso, a mídia dos EUA começou a relatar que a Casa Branca está buscando novas negociações com o Irã para encerrar a guerra.

“Após três semanas de guerra, o governo Trump iniciou discussões preliminares sobre a próxima fase e como poderiam ser as negociações de paz com o Irã”, afirmou o Axios, citando uma autoridade americana e uma fonte com conhecimento do assunto.

Os enviados especiais de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, estão liderando a iniciativa, segundo as fontes do Axios.

A autoridade americana disse que Washington quer que o Irã concorde com seis exigências, muitas das quais já foram rejeitadas por Teerã no passado:

Fim do programa de mísseis por cinco anos, enriquecimento zero de urânio; desativação das instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow; protocolos rigorosos de observação externa sobre centrífugas e equipamentos relacionados que poderiam ser usados para desenvolver uma arma nuclear; tratados de controle de armas com países da região; limite de 1.000 km para mísseis; e fim do financiamento a movimentos de resistência aliados, como o Hezbollah no Líbano, Ansarallah no Iêmen ou o Hamas em Gaza.

Teerã está cético quanto a negociar com Washington, que já lançou dois ataques surpresa contra o Irã e assassinou líderes iranianos enquanto prometia negociações.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou no sábado que o Irã não abrirá Ormuz a menos que os EUA e Israel parem de atacar o país e se comprometam a não retomar os ataques no futuro.

Os termos de Witkoff e Kushner serão semelhantes aos que apresentaram em Genebra dois dias antes do início da guerra, segundo fontes do Axios.

Um alto funcionário político e de segurança iraniano disse ao Al-Mayadeen no domingo que várias partes regionais e mediadores transmitiram propostas de paz a Teerã.

O funcionário afirmou que o Irã delineou seis exigências próprias que os EUA devem aceitar caso queiram o fim da guerra: garantias para evitar a repetição do conflito, fechamento das bases militares americanas na região, pagamento de compensações à República Islâmica, fim das guerras em todas as frentes regionais, estabelecimento de um novo marco legal para o Estreito de Ormuz e processamento e extradição de figuras da mídia consideradas hostis ao Irã.

Comunicado do Ministério da Saúde

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 mártires (3 novos mártires e 1 que faleceu devido aos ferimentos) e 14 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 677

• Total de feridos: 1.813

• Total de corpos recuperados: 756

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.253 mártires e 171.912 feridos desde 7 de outubro de 2023.