Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 902

Chefe do Estado-Maior israelense alertou que o exército está “à beira do colapso” por falta de tropas, após impasse para recrutar ultraortodoxos, em meio às guerras contra Gaza, Irã e Líbano.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 902
Reprodução: IDF

Autoridades da ocupação alertam que exército está em crise por falta de tropas

O chefe do Estado-Maior do exército israelense, Eyal Zamir, alertou em 25 de março que as forças armadas estão “prestes a entrar em colapso” após não conseguirem aprovar uma lei para recrutar soldados entre os ultraortodoxos (haredim) e estender o serviço militar obrigatório para 36 meses.

“As reservas não vão aguentar, estou levantando 10 sinais de alerta”, afirmou Zamir em entrevista ao Canal 13.

O alerta ocorre enquanto o exército de Israel combate guerras contra Gaza, Irã e Líbano — onde tropas israelenses estão envolvidas em uma campanha terrestre para conquistar e anexar o sul do Líbano.

Caso a legislação atual não seja alterada, a duração do serviço obrigatório deve cair para 30 meses em janeiro de 2027, apesar da falta de muitos milhares de soldados.

O gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tem encontrado dificuldades políticas para continuar estendendo o serviço militar obrigatório enquanto, ao mesmo tempo, isenta dezenas de milhares de homens ultraortodoxos do alistamento.

Israelenses de esquerda e seculares estão irritados porque os haredim não são obrigados a compartilhar o peso de participar do genocídio de palestinos em Gaza e da expansão das fronteiras do “Grande Israel” no Líbano.

Zamir fez os comentários durante uma reunião de gabinete com a presença do primeiro-ministro, chefes da área de defesa e ministros.

“Em pouco tempo, as Forças de Defesa de Israel não estarão preparadas para sua missão rotineira. Os reservistas não vão aguentar”, disse o chefe do Estado-Maior aos participantes.

“As reservas estão sendo desgastadas. A lei precisa ser ajustada, mais reservistas são necessários e as tarefas só aumentam. Manter essas áreas exige reservas; há lacunas há muito tempo”, acrescentou uma fonte do exército.

Zamir já havia feito um alerta semelhante em junho passado, durante uma visita a Gaza. “O Estado de Israel não pode existir com base em uma força militar mínima, mas precisa de amplas margens de segurança. Mais forças regulares e de reserva aliviarão a carga sobre os reservistas”, declarou.

Na quarta-feira, o gabinete israelense aprovou a convocação de até 400 mil reservistas para atender às necessidades de pessoal do exército em meio às guerras contra o Irã e o Hezbollah no Líbano.

Os militares afirmam que isso não representa o número real de reservistas que serão convocados, mas sim um “teto que permite flexibilidade… de acordo com as necessidades operacionais”.

Na quinta-feira, um soldado israelense foi morto pelo Hezbollah no sul do Líbano durante a noite, anunciou o exército, enquanto o movimento de resistência continuava a bombardear cidades e vilas no norte de Israel com foguetes e drones.

O sargento Ori Greenberg, membro da unidade de reconhecimento da Brigada Golani, foi o terceiro soldado israelense morto na ofensiva terrestre renovada de Israel no sul do Líbano.

Desde o início da campanha terrestre em 2 de março, quatro dias após Israel lançar uma guerra contra o Irã, o Hezbollah tem oferecido forte resistência para proteger o sul do país das tropas israelenses invasoras.

Em 23 de março, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou que Israel deveria conquistar e anexar território até o rio Litani, no interior do sul do Líbano. A medida capturaria recursos hídricos adicionais para Israel e abriria caminho para o assentamento de judeus israelenses no Líbano, expandindo assim o “Grande Israel”.

Comunicado do Ministério da Saúde

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 mártires (3 novos mártires e 1 que faleceu devido aos ferimentos) e 14 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 677

• Total de feridos: 1.813

• Total de corpos recuperados: 756

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.253 mártires e 171.912 feridos desde 7 de outubro de 2023.