Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 903

Ataque com drone israelense matou três jornalistas após atingir veículo identificado como “imprensa” no sul do Líbano. A equipe foi completamente destruída em ação considerada direcionada e intencional.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 903
Reprodução: Bint Jbeil Platforms.

Ocupação mata três jornalistas no sul do Líbano

O exército israelense matou o veterano correspondente da Al-Manar, Ali Shoeib, a jornalista da Al-Mayadeen, Fatima Ftouni, e seu irmão, o fotojornalista Mohammad Ftouni, durante um ataque com drone de “duplo impacto” contra um veículo de imprensa no sul do Líbano, em 28 de março.

O ataque israelense eliminou toda a equipe de mídia que viajava junta para cobrir a invasão israelense no sul do Líbano. Autoridades de mídia confirmaram que a equipe estava dentro de um veículo claramente identificado como “IMPRENSA” quando foi bombardeado.

Imagens mostram que o carro trafegava por uma estrada arborizada na cidade de Jezzine, com pouquíssimo movimento devido ao deslocamento forçado de moradores, o que confirmaria um ataque deliberado e direcionado.

A área foi então atingida novamente por um segundo ataque após pessoas tentarem prestar socorro. O exército israelense divulgou um vídeo do ataque, alegando que Shoeib era um “terrorista na unidade de inteligência da Força Radwan do Hezbollah”.

“Mais uma vez, a agressão israelense viola as regras mais básicas do direito internacional, do direito internacional humanitário e das leis da guerra, ao atingir jornalistas, que são, em última instância, civis desempenhando um dever profissional”, disse o presidente do Líbano, Joseph Aoun, em comunicado no sábado.

“Este é um crime flagrante que viola todas as normas e tratados sob os quais jornalistas gozam de proteção internacional em guerras”, acrescentou.

A TV Al-Manar lamentou a morte de Shoeib, destacando que ele cobria eventos no sul do Líbano desde antes da libertação de 2000, passando pela guerra de julho de 2006, até o conflito atual. Ele também cobriu eventos na Síria e no Iraque ao longo de sua carreira em campo.

“O cavaleiro da mídia da resistência desmontou após uma longa luta, e a lente e a plataforma da Al-Manar mais uma vez derramaram o sangue mais precioso… A Al-Manar o lamenta como uma verdadeira frente midiática, um apoio e companheiro de gerações de combatentes da resistência, e um professor e modelo para gerações de jornalistas”, diz o comunicado da emissora libanesa.

Shoeib era amplamente descrito como um “exército de um homem só”, conhecido por sua cobertura ousada na linha de frente e por confrontos diretos frequentes com soldados israelenses na fronteira, onde transmitia atualizações em tempo real sobre os acontecimentos no terreno.

A Al-Mayadeen lamentou a morte de Ftouni, enfatizando que ela “estava em campo cobrindo a agressão israelense em curso no Líbano, fazendo o trabalho pelo qual era conhecida e amada, levando a realidade da resistência de seu povo ao público em todo o mundo”.

“Prometemos à sua alma que permaneceremos comprometidos com a mensagem de resistência, liberdade e soberania”, disse Rony Alfa, diretor do escritório da Al-Mayadeen no Líbano, acrescentando que Fatima era “uma heroína da Al-Mayadeen, da palavra e da mídia árabe e internacional”.

No início de março, Ftouni perdeu sete membros de sua família em um ataque israelense ao vilarejo de Toul, no sul do Líbano, mas continuou reportando em áreas de alto risco mesmo assim.

Antes de sua morte, Ftouni havia expressado preocupações sobre a segurança de sua família em Toul ao primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, que minimizou suas preocupações.

No início deste ano, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) listou Israel como a principal causa de mortes de jornalistas no mundo pelo terceiro ano consecutivo. Somente no Líbano, o exército israelense matou pelo menos 22 jornalistas, frequentemente alegando que eram “terroristas” – uma acusação não comprovada que é amplamente reproduzida por veículos de mídia ocidentais.

Comunicado do Ministério da Saúde

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 mártires (3 novos mártires e 1 que faleceu devido aos ferimentos) e 14 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

  • Total de mártires: 677
  • Total de feridos: 1.813
  • Total de corpos recuperados: 756

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.253 mártires e 171.912 feridos desde 7 de outubro de 2023.