Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 911
Ocupação avalia parceria com o Exército sírio para enfrentar o Hezbollah no Líbano após fracassar em tomar o sul do país. A ofensiva inclui bombardeios que já atingiram Beirute e deixaram centenas de mortos.
Israel considera parceria com a Síria contra o Hezbollah
O Exército Sírio, liderado pelo ex-comandante do ISIS Ahmad al-Sharaa, pode se tornar um “parceiro” da ocupação para combater o Hezbollah no Líbano, agora que o exército israelense não conseguiu atingir seu objetivo de tomar todo o sul do Líbano por conta própria, informou o jornal israelense Maariv em 4 de abril.
Israel retomou sua guerra contra o Líbano em 2 de março, depois que o Hezbollah entrou no confronto após 15 meses de violações do cessar-fogo por parte de Israel, em paralelo com a guerra mais ampla lançada contra o Irã juntamente com os EUA dias antes.
Desde então, as forças israelenses lançaram uma campanha de bombardeios intensa, atingindo alvos em todo o país, incluindo a capital, Beirute, matando centenas de civis, trabalhadores de resgate e combatentes da resistência.
Israel também iniciou uma campanha terrestre para tomar o território do sul do Líbano até o estratégico rio Litani.
No entanto, combatentes do Hezbollah ofereceram forte resistência no terreno, impedindo as tropas israelenses de avançarem profundamente no Líbano e de desarmar o movimento.
O fracasso em tomar o sul do Líbano – que Israel deseja por seus recursos hídricos e território para expandir o chamado “Grande Israel” para assentamentos judaicos – gerou críticas em Israel ao Exército libanês.
Autoridades militares israelenses esperavam que o Exército libanês, apoiado pelos EUA e pelo Reino Unido, lutasse para derrotar o Hezbollah em nome de Tel Aviv.
Segundo o Maariv, o Exército libanês tem receio de confrontar o Hezbollah, evita confrontos diretos e, em alguns casos, sofre infiltração de elementos afiliados ou leais à organização.
Como resultado, autoridades israelenses não acreditam mais que podem conquistar o sul do Líbano e derrotar o Hezbollah usando a estratégia atual de depender do Exército libanês. Agora, segundo relatos, planejam usar o Exército sírio como força indireta para combater o Hezbollah a partir do norte e do leste.
“Dentro desse quadro, surge uma avaliação mais sensível e dramática”, escreveu o Maariv, acrescentando que “restam apenas duas partes na região que são capazes e estão dispostas a lutar contra o Hezbollah – Israel e o novo regime sírio liderado por Sharaa”.
“Segundo fontes israelenses, trata-se de interesses convergentes, ainda que não seja uma aliança no sentido clássico. Do ponto de vista de Israel, trata-se de um regime que odeia o Hezbollah, o vê como inimigo e pode, de fato, tornar-se um parceiro de interesses no cenário libanês”, afirmou o jornal.
Como resultado, “pode surgir um cenário em que entendimentos entre Israel e Síria tomem forma”, envolvendo o controle israelense do sul do Líbano, enquanto os sírios atuariam no norte do país contra o Hezbollah.
Segundo fontes ouvidas pelo jornal israelense, essa opção está sendo analisada como consequência do “fracasso de todas as outras alternativas”.
De acordo com essas fontes, contatos diretos e indiretos estão ocorrendo entre autoridades israelenses e sírias sobre o tema, possivelmente com mediação dos EUA.
Caso países ocidentais como França e Alemanha não apresentem outra alternativa para derrotar o Hezbollah, “a avaliação em Israel é que os EUA não bloquearão tal movimento e podem até dar uma aprovação discreta no final”.
Em 3 de abril, o exército israelense reconheceu abertamente que mudou sua estratégia no sul do Líbano, abandonando o objetivo inicial de desarmar o Hezbollah por considerá-lo irrealista após dias de confrontos e contínuos ataques com foguetes, e passando a estabelecer o que descreve como uma “linha defensiva” ao longo da fronteira – o que gerou indignação entre moradores de assentamentos no norte.
O presidente autodeclarado da Síria lutou originalmente pela Al-Qaeda no Iraque, que mais tarde se tornou conhecida como Estado Islâmico, liderado por Abu Bakr al-Baghdadi.
Em 2011, Baghdadi enviou Sharaa – então conhecido como Abu Mohammad al-Jolani – à Síria para criar uma ala do Estado Islâmico destinada a combater o governo de Bashar al-Assad.
Apesar de classificá-lo como terrorista, os EUA e Israel apoiaram secretamente Sharaa com armas e financiamento como parte da operação da CIA conhecida como Timber Sycamore.
Sharaa teria atuado como um agente dos EUA para dividir a Síria e criar um enclave dominado por extremistas na região noroeste do país, na província de Idlib. Com apoio dos EUA, Israel, Turquia e Rússia, os combatentes de Sharaa finalmente capturaram Damasco e derrubaram Assad em dezembro de 2024.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 mártires (1 novo mártir e 3 corpos recuperados) e 5 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 716
• Total de feridos: 1.968
• Total de corpos recuperados: 759
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.292 mártires e 172.073 feridos desde 7 de outubro de 2023.