Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 934
A organização Médicos Sem Fronteiras alerta em relatório que foi expulsa pela entidade sionista de áreas onde anteriormente fornecia água para centenas de milhares de palestinos.
Médicos Sem Fronteiras acusa Israel de usar a água como arma em Gaza
Israel tem usado o acesso à água em Gaza como arma, “privando sistematicamente” os moradores do enclave sitiado desse recurso vital como forma de “punição coletiva”, afirmou a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em um relatório de 28 de abril.
“Os palestinos em Gaza enfrentam escassez de água orquestrada”, diz o relatório. “A negação deliberada de água aos palestinos é parte integrante do genocídio de Israel”, afirmou a MSF.
“O acesso à água potável, saneamento básico e higiene é fundamental para a vida. A contínua negação desses itens essenciais infligiu sofrimento evitável a toda uma população”, acrescentou.
“As autoridades israelenses impuseram condições que restringem severamente o acesso a serviços essenciais na Faixa de Gaza. Ordens de deslocamento e a interdição, pelo exército israelense, da entrada de palestinos em partes de Gaza, chegaram a abranger mais de 80% da Faixa. No momento da redação deste relatório, os palestinos não têm acesso a 58% do território. As autoridades israelenses obrigaram repetidamente a MSF a suspender a distribuição de água”, prossegue o relatório.
Acrescenta ainda que a organização perdeu ativos “críticos” de produção de água e “foi forçada a realocar unidades de produção de água potável, reduzindo a disponibilidade de água para centenas de milhares de pessoas”.
“Usinas de dessalinização, poços artesianos, oleodutos e sistemas de esgoto tornaram-se inoperáveis ou inacessíveis” como resultado da guerra genocida de Israel, segundo o relatório da MSF.
“Palestinos foram feridos e mortos simplesmente tentando acessar água”, afirmou Claire San Filippo, gerente de emergências da MSF.
“As autoridades israelenses sabem que sem água, a vida acaba. Mesmo assim, elas têm deliberadamente e sistematicamente destruído a infraestrutura hídrica em Gaza, enquanto bloqueiam consistentemente o acesso a suprimentos relacionados à água”, acrescentou ela.
A MSF alertou que foi expulsa por Israel de áreas onde anteriormente fornecia água para centenas de milhares de palestinos.
No ano passado, Israel proibiu a atuação de dezenas de organizações humanitárias em Gaza. A MSF estava entre elas.
O novo relatório surge em um momento em que as violações do cessar-fogo por Tel Aviv na Faixa de Gaza continuam a se intensificar.
Apenas 10 dias antes, tropas israelenses abriram fogo contra dois motoristas de caminhão da UNICEF responsáveis pela distribuição de água. Ambos foram mortos após serem alvejados no ponto de abastecimento de água de Mansoura, no norte de Gaza.
Mais de 800 pessoas foram mortas desde o acordo de outubro de 2025, e mais de 2.300 ficaram feridas.
Nos últimos dias, os ataques aéreos e a demolição de infraestrutura se intensificaram em Gaza. Dezenas de pessoas foram mortas.
Um relatório recente da ONU afirmou que o desenvolvimento humano sofreu um retrocesso de mais de sete décadas como resultado do genocídio israelense na Faixa de Gaza.
"As necessidades de recuperação e reconstrução em Gaza são estimadas em US$ 71,4 bilhões na próxima década, incluindo US$ 26,3 bilhões necessários nos primeiros 18 meses para restaurar serviços essenciais, reconstruir infraestrutura crítica e apoiar a recuperação econômica", diz o relatório.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 1 mártir e 5 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 818
• Total de feridos: 2.301
• Total de corpos recuperados: 762
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.594 mártires e 172.404 feridos desde 7 de outubro de 2023.