Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 966

A França pediu a abertura de uma investigação criminal sobre denúncias de tortura contra franceses sequestrados pela ocupação na Flotilha Global Sumud. Advogados das vítimas recusaram dar declarações nesse momento.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 966
Reprodução: Emrah Gurel/AP

França ordena investigação criminal sobre condições de ativistas da flotilha sequestrados por Israel

O Ministério das Relações Exteriores da França solicitou formalmente, em 29 de maio, que o Ministério Público abrisse uma investigação criminal sobre os relatos em primeira mão de violência sexual e tortura cometidas por forças israelenses contra cidadãos franceses sequestrados por participarem da Flotilha Global Sumud.

O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, confirmou o encaminhamento jurídico na sexta-feira, citando um “relatório diplomático angustiante” do cônsul-geral francês na Turquia. Barrot afirmou que o documento detalhava “violência sexual, exposição ao frio, espancamentos e humilhações repetidas de cidadãos franceses”, acrescentando que “todos esses atos podem constituir infrações penais”.

Apesar da investigação, os representantes legais dos ativistas franceses recusaram-se a reunir-se com a equipe de Barrot.

Em nota, os advogados argumentaram que “a repercussão das declarações do ministro não nos fará esquecer que o governo francês apoiou o Estado de Israel desde o início do genocídio”.

Os advogados anunciaram planos de apresentar uma queixa separada sobre as “humilhações, estupro e atos de tortura” sofridos por seus clientes.

O pedido de responsabilização ocorre após a França proibir a entrada em seu território do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, medida desencadeada por imagens que viralizaram mostrando o ministro “vangloriando-se, zombando e abusando de voluntários de ajuda humanitária algemados e vendados” no Porto de Ashdod.

A tortura e o assédio sexual contra os ativistas ocorreram depois que a Flotilha Global Sumud foi “interceptada e apreendida ilegalmente pela marinha israelense em águas internacionais” enquanto tentava entregar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, submetida a cerco e fome.

Os organizadores da flotilha relatam que, durante o subsequente sequestro e encarceramento, os ativistas foram submetidos a “detenção violenta”, com vários hospitalizados e pelo menos 15 pessoas denunciando “agressões sexuais, incluindo estupro”.

Após sua libertação e deportação de Israel, os ativistas chegaram a Istambul em 21 de maio trazendo relatos em primeira mão do tratamento “bárbaro” que receberam enquanto estavam sob custódia israelense.

A ONU deverá incluir formalmente Israel em uma lista de autores de violência sexual em zonas de conflito, com a acusação apoiada por centenas de casos documentados de estupro, tortura e abusos — em muitos casos envolvendo cães e objetos — dentro de campos de tortura israelenses.

Pelo menos 94 palestinos morreram sob custódia israelense desde outubro de 2023, muitos nas mesmas prisões que abrigaram os ativistas da flotilha.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 48 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 7 mártires, incluindo 1 vítima que sucumbiu aos ferimentos, e 25 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 929

• Total de feridos: 2.811

• Total de corpos recuperados: 781

Observação: foram adicionados 112 mártires à estatística acumulada de mártires após a conclusão de seus registros e aprovação pela Comissão de Validação dos Mártires desde o início de maio.

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.938 mártires e 172.919 feridos desde 7 de outubro de 2023.