Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 969
Abdel Hamid Mohammed Ismail Al-Shatli, ex-dirigente militar da Frente Popular, morreu aos 74 anos em Damasco, após adoecimento causado, sobretudo, pelas sequelas de torturas sofridas nas prisões da ocupação.
FPLP: Martírio do ex-comandante militar Abdel Hamid Al-Shatli (Abu Wissam)
Com profundo orgulho e respeito, a Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP) anuncia, em nome de seu secretário-geral, de seu vice-secretário-geral, dos membros do escritório político, do comitê central e de todos os seus quadros, membros e apoiadores na Palestina e na diáspora, o falecimento de seu camarada militante e um dos mais destacados ex-dirigentes militares, Abdel Hamid Mohammed Ismail Al-Shatli (Abu Wissam), que faleceu nesta terça-feira, em Damasco, na Síria, aos 74 anos, após uma longa luta contra a doença decorrente das sequelas da tortura sofrida nas prisões da ocupação israelense. Ele deixa um legado de militância marcado por dedicação e sacrifício.
O camarada Abu Wissam representou, em sua personalidade e trajetória, um modelo excepcional de militante completo. No campo de batalha, foi um comandante corajoso; no trabalho organizacional, um dirigente disciplinado e comprometido com princípios; e, nas áreas de segurança e ação militar, um especialista experiente e audacioso, transformando os espaços de atuação clandestina e pública em frentes permanentes de desgaste contra seu adversário.
Caracterizava-se também pela firmeza de suas posições e pela humildade de um combatente. Era próximo e estimado por seus companheiros e pelas bases organizacionais e militares, tornando-se um exemplo de lealdade e dedicação. Permanecerá na memória da Frente como um dos mais destacados comandantes militares que gravaram seus nomes na história da luta palestina.
Trajetória militante do mártir:
- Nasceu em 1952 no campo de refugiados de Nuseirat, na Faixa de Gaza, sendo originário da aldeia palestina deslocada de Aqir.
- Ingressou na Frente Popular para a Libertação da Palestina em 1969, entre os primeiros a atender ao chamado do dever nacional, juntando-se à histórica unidade “Che Guevara Gaza”, da qual se tornou um dos principais pilares na luta contra a ocupação.
- Participou de confrontos diretos com as forças israelenses, incluindo:
- A batalha na entrada do campo de Nuseirat (julho de 1970);
- A batalha do campo de refugiados de Al-Shati (novembro de 1970);
- A operação contra o governador militar de Deir al-Balah (setembro de 1970);
- todas realizadas no âmbito dos grupos “Che Guevara Gaza”;
- foi preso pelas autoridades israelenses em 28 de abril de 1971, acusado de liderar, planejar e executar operações militares de destaque. Condenado à prisão perpétua, permaneceu encarcerado por 14 anos até ser libertado em uma troca de prisioneiros em 1985. Durante o período de prisão, sofreu torturas severas que lhe causaram problemas crônicos de saúde no coração, estômago e intestinos, cujas consequências o acompanharam até seus últimos dias;
- posteriormente transferiu-se de Gaza para a Síria, onde ocupou cargos de liderança e assumiu diversas responsabilidades organizacionais, sindicais, políticas, midiáticas e de mobilização popular, incluindo a participação em um comitê central regional e a direção de uma filial da organização;
- aperfeiçoou sua formação por meio de cursos avançados de segurança e treinamento militar na Síria e na então Alemanha Oriental, ascendendo gradualmente na estrutura militar da Frente até alcançar a patente de tenente-coronel em 1996;
- recebeu a “Medalha da Resistência” da Frente Popular em 1985 e um certificado de reconhecimento da Frente Popular para a Libertação da Palestina – Comando Geral em 1990, em reconhecimento à sua coragem e atuação.
A Frente Popular expressa suas mais sinceras condolências à sua família, aos seus companheiros e a todos que o estimavam, reafirmando o compromisso de seguir os princípios pelos quais ele lutou durante toda a sua vida.
Ao se despedir hoje de um de seus combatentes, a Frente Popular para a Libertação da Palestina declara que os sacrifícios do camarada Abu Wissam Al-Shatli permanecerão como um farol em sua trajetória até a concretização dos objetivos do povo palestino: liberdade, retorno, independência e o estabelecimento de um Estado palestino com Jerusalém como sua capital.
Glória eterna à memória do camarada comandante. Certamente venceremos.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 1 mártir e 9 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 933
• Total de feridos: 2.868
• Total de corpos recuperados: 781
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.942 mártires e 172.967 feridos desde 7 de outubro de 2023.