Boletim da ocupação indígena contra a Belo Sun – Altamira (Dia 26)

A audiência realizada hoje (20/03) apresentou um novo encaminhamento jurídico para o movimento, após posicionamentos do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e da Funai contra o projeto de mineração, em um cenário marcado pela ausência do Ministério Público Federal (MPF).

Boletim da ocupação indígena contra a Belo Sun – Altamira (Dia 26)
Reprodução/Foto: Igor Teixeira.

20 de março de 2026

Dando continuidade à mobilização do Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIMX), a audiência pública remarcada para esta sexta-feira (20/03) contou com a presença de representantes federais, destacando-se a participação do Procurador-Geral da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU). Durante o encontro, tanto o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) quanto a Funai declararam formalmente oposição ao projeto da Belo Sun, alinhando-se à reivindicação indígena pela preservação do território.

O Ministério Público Federal (MPF), cuja presença era aguardada para a formalização dos compromissos desta data, não compareceu à reunião. Como encaminhamento prático das discussões, houve a proposta de levar a situação formalmente à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) e ao IBAMA, visto que a resistência atual se concentra em reverter a decisão de um desembargador que favorece o empreendimento.

O movimento reforçou que o avanço do empreendimento expõe falhas estruturais graves, como a busca por licenciamento em âmbito estadual para evitar o rigor técnico federal e a ausência de estudos que considerem os efeitos cumulativos junto ao projeto Belo Monte. Essa fragmentação impede uma consulta prévia, livre e informada, uma vez que as comunidades não têm acesso a dados técnicos claros sobre os riscos reais de contaminação. A omissão institucional e a falta de coordenação entre órgãos federais acabam por transferir o risco ambiental diretamente para os povos originários.

Diante disso, o MMIMX mantém a ocupação e a denúncia de um modelo que produz danos irreversíveis. A pauta segue firme na exigência da anulação do licenciamento e na responsabilização dos órgãos envolvidos.

Para a manutenção da ocupação, doações podem ser realizadas pela chave PIX: [email protected].