Boletim da ocupação indígena contra a Belo Sun – Altamira (Dia 28)

MMIXM realizou oficina de cartazes para a marcha que ocorrerá em Altamira (PA), no dia 24, contando com apoio de movimentos sociais na capital paraense. Ademais, segundo o RIMA acessado pelos manifestantes, dentre os altos riscos possíveis no projeto de mineração, destaca-se o rompimento de barragem

Boletim da ocupação indígena contra a Belo Sun – Altamira (Dia 28)
Crédito: Gustão

22 de março de 2026

No 28º dia de ocupação, foi realizado uma oficina de cartazes junto a crianças e adolescentes para a marcha que ocorrerá no dia 24 (terça-feira), em Altamira (PA), em apoio às mulheres indígenas que estão ocupando a Funai. Também ocorreu uma convocação para a organização de um ato público de apoio à ocupação, por iniciativa do Fórum da Amazônia Oriental (FAOR) e pelo Instituto Amazônia de Atenção à Saúde (IAMAS), que acontecerá no Instituto Universidade Popular (UNIPOP), na capital do estado, Belém, às 16 horas do dia 23 (segunda-feira).

Outrossim, os manifestantes obtiveram acesso a documentos e relatórios técnicos acerca da proposta de empreendimento mineral da Belo Sun, os quais expõem cientificamente todos os seus provenientes impactos e riscos ambientais, e que serão devidamente citados neste boletim.

Dentre os impactos negativos mais expressivos, segundo o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) do Projeto Volta Grande, destacam-se: assoreamento dos cursos d´água; redução da disponibilidade de recursos hídricos; exploração excessiva e insustentável de recursos naturais; perda de habitats aquáticos; destruição - parcial ou total – do patrimônio arqueológico e alteração da paisagem. No que tange aos riscos, ainda segundo o relatório supracitado, em ordem decrescente de nível alto de risco para médio, apresentam-se: rompimento da barragem de rejeitos, atropelamento de pessoas e animais, rompimento dos diques de contenção, emissão atmosférica de poluentes, derramamento/vazamento de sólidos contaminados, rompimento do rejeitoduto e entre várias outras ocorrências de alto risco.

Além disso, outro relatório técnico disponibilizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) o projeto da transnacional como uma das principais ameaças aos Direitos Ambientais e dos Povos Indígenas sobre suas terras reconhecidas pela Constituição Federal de 1988. Isso porque, conforme discorrido ao longo dos nove boletins produzidos até o momento, a região da Volta Grande do Rio Xingu já enfrenta graves consequências sociais e ambientais em decorrência da construção hidrelétrica de Belo Monte. Portanto, o licenciamento da mineração de ouro no local agravará os danos sinergéticos, cuja magnitude irá afetar ainda mais o modo de vida tradicional dos povos originários que ali habitam.

Nesse sentido, o documento acrescenta que a transnacional Belo Sun omite informações acerca dos prováveis impactos que a mineração pode ocasionar na região. E da mesma forma, atua silenciando discussões acerca do empreendimento, pratica abuso do poder econômico – incluindo promessas de ganho financeiro para comunidades e povos mais pobres, o que gera disputas internas e divisão da opinião pública entre os potencialmente afetados de maneira negativa pelo projeto – e a contratação de segurança armada, que impedia o acesso a áreas públicas antes utilizadas para caça, pesca e lazer.

Por fim, o Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu continua mobilizado e reivindicando a anulação imediata do projeto minerário da empresa canadense, evidenciando os diversos danos socioambientais que o empreendimento trará a região já afetada do Rio Xingu.

Aos interessados e com condições de colaborar com a manutenção do acampamento e com as ações de protestos, doações podem ser realizadas pela chave PIX abaixo:

CNPJ: 05928575000192
Agência: 0001
Conta:1926409-4
Instituição: 403 - CORA SCFI
Nome: ABEX