Boletim da ocupação indígena contra Belo Sun – Altamira (Dia 32)
Em reunião online realizada com representantes da Funai de Brasília, autoridades governamentais seguem negligenciando a luta conduzida pelo MMIXM e por demais movimentos sociais ao não oferecerem medidas concretas que atendam às suas reivindicações e à anulação do licenciamento.
26 de março de 2026
Na manhã desta quinta-feira, ocorreu uma reunião entre os manifestantes com a diretoria da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Entretanto, a reunião foi feita em caráter online, uma vez que os diretores, em sua maioria, estavam presentes em Brasília. Tal ocorrência expõe o descaso em que as autoridades governistas têm tratado a luta indígena em Altamira (PA), que já perdura para mais de um mês.
A negligência às pautas e defesas do Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu são de longa data, indo desde a falta de representatividade indígena na própria diretoria da Funai no município, até a ausência de repostas concretas acerca da anulação do licenciamento para o projeto minerário da Volta Grande, aprovado pelo desembargador Flávio Jardim, o qual, reitera-se, tê-lo feito descumprindo determinações anteriores do próprio Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1), que ao delegar a análise do Estudo do Componente Indígena (ECI) à Funai e à Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS/PA), ambas concluíram como insuficientes para serem licenciadas.
Apesar disso, o projeto segue mantido pelo apoio que a classe política-empresarial tem fornecido ao empreendimento da empresa canadense, utilizando-se da influência midiática para dividir opiniões com argumentos “desenvolvimentistas” para a região, ainda que a quantidade de empregos gerados sejam ínfimos e temporários a comparar a quantidade total de habitantes da cidade: 526 funcionários após início da operação, pelo período de 12 anos, em contraste à população estimada de 138.749 pessoas, segundo últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
No entanto, nas redes sociais da Belo Sun, a empresa afirma ter seguido os rigorosos critérios técnicos para ter o projeto aprovado, e de ter realizado a Consulta Livre, Prévia e Informada da OIT, ocorrência que além de já ter sido desmentida pelo Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIXM) e demais movimentos sociais presentes na ocupação, se dá por ilegítima por ter sido conduzida com somente dois povos da região: Jurunas e Araras.
Ainda que tal projeto possa trazer investimentos de outras empresas à fora, tendo em vista a circulação de capital que a transnacional temporariamente trará ao local, o lucro se concentrará nas mãos de poucas pessoas - em geral destinado aos países de origem das empresas, aos acionistas e à elite política-empresarial da região – e por cima de graves impactos socioambientais indissociáveis do empreendimento, para além do sacrifício e desrespeito ao modo de vida dos povos originários que ali habitam.
Portanto, a luta do MMIXM em Altamira permanece como indispensável contra o modelo econômico exploratório que está em vigor, onde recursos naturais, que são base do modo de vida de toda a população, são colocados à venda e disposição para empreendimentos de lucros privados, com consequências sociais e ambientais incontornáveis a ela.
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