Boletim da ocupação indígena contra Belo Sun – Altamira (Dia 33)

Enquanto o Ibama se retira da responsabilidade sobre o licenciamento da mineradora canadense, o Governo do Pará reafirma sua competência para conduzir o processo, ignorando os apelos das comunidades tradicionais e os impactos sinérgicos com a hidrelétrica de Belo Monte

Boletim da ocupação indígena contra Belo Sun – Altamira (Dia 33)
Reprodução/Foto: Igor Teixeira.

27 de março de 2026

O embate contra a instalação da maior exploração de ouro a céu aberto do Brasil, na região da Volta Grande do Xingu, chegou a um estágio decisivo com a ratificação de que a competência sobre o licenciamento ambiental retornou à gestão estadual do Pará. Registros oficiais expedidos pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (SEMAS/PA) em 20 de março de 2026 confirmam que, amparada por deliberações da Justiça, a autarquia paraense retomou a tutela do processo administrativo referente à mineradora canadense Belo Sun. Essa migração de autoridade gera profunda apreensão no Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIXM), visto que o Ibama, sob influência política e adotando uma interpretação restrita da legislação, preferiu se abster do licenciamento sob a justificativa de que o projeto não se sobrepõe diretamente a territórios indígenas demarcados.

A retirada do órgão federal desconsidera que a operação deixará um rastro de 35 milhões de metros cúbicos de detritos tóxicos nas proximidades do Rio Xingu — o equivalente ao conteúdo de 14 mil piscinas olímpicas — em uma área já fragilizada pelas consequências da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Embora a SEMAS/PA assegure que, até o momento, não houve a concessão de novas autorizações ou a revalidação da Licença de Instalação que estava suspensa, a mineradora prossegue sua incursão no território. A empresa tem ocupado inclusive glebas voltadas à reforma agrária no Assentamento Ressaca, utilizando-se de um acordo que o Poder Judiciário declarou nulo no encerramento de 2024.

A mobilização indígena em Altamira, que completa hoje seu 33º dia, expõe que os processos de consulta promovidos pela Belo Sun careceram de legitimidade e visaram fragmentar a união das comunidades, negligenciando o efeito sinérgico que ameaça extinguir o modo de vida de todas as populações da Volta Grande. Perante o alinhamento do governo estadual aos interesses minerários, os grupos em resistência reiteram que a oposição a esse sistema de exploração predatório é a única via para impedir uma catástrofe socioambiental definitiva na Amazônia.

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