Boletim da Ocupação Indígena contra Belo Sun – Altamira (Dia 38)
Mulheres Indígenas do Médio Xingu ampliam a resistência contra a mineradora Belo Sun. Após diálogo com o governo paraense e queixas sobre a falta de licença, o grupo organiza uma jornada até Brasília para reforçar a luta no Acampamento Terra Livre e impedir o progresso da extração mineral.
01 de abril de 2026
O levante encabeçado pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIMX) contra a exploração da Belo Sun, na região da Volta Grande do Xingu, atingiu novas etapas em Altamira (PA). Enquanto o acampamento estabelecido na unidade da FUNAI organiza sua migração para a capital federal, as investidas políticas e jurídicas ganharam força depois de reuniões decisivas com representantes do Executivo.
O clima hoje na ocupação foi de tranquilidade, com as atividades centradas em reuniões internas para alinhar os detalhes da viagem. Enquanto algumas mulheres saíram para providenciar vestimentas, a coordenação do movimento se desdobra em uma logística intensa. A partida do ônibus que levará a delegação está prevista para o final da tarde ou início da noite de amanhã, quinta-feira. O grupo trabalha contra o tempo para organizar o transporte, garantir o suprimento de alimentação e preparar as barracas que serão utilizadas em Brasília.
Além da estrutura física, o movimento ainda deve realizar uma reunião específica para definir as pautas e agendas de articulação política que serão defendidas no plano nacional. Recentemente, o MMIMX intensificou as investidas jurídicas depois de reuniões decisivas com o governo paraense. No último dia 28 de março, lideranças indígenas confrontaram o governador Helder Barbalho, exigindo uma posição clara contra a expansão do projeto minerário. A fala do governador foi criticada por ser ambígua, pois embora admita a falta de licenças vigentes, o Estado mantém uma postura que facilita o empreendimento.
O coletivo reforça que a atuação da Belo Sun é inviável sem um novo licenciamento e sem o respeito à Convenção 169 da OIT, que garante a consulta prévia às comunidades. A permanência física em Altamira se encerra com a ida ao Acampamento Terra Livre (ATL), mas a luta contra as licenças que ameaçam os territórios tradicionais continua agora com visibilidade nacional.
Este boletim marca o encerramento de um ciclo de atualizações diárias sobre a ocupação na sede da FUNAI, uma vez que o foco da resistência agora se desloca para a capital federal.