Boletim de ocupação indígena contra a Belo Sun - Altamira (Dia 30)
Vereadores de Altamira são constrangidos e expostos como aliados da Belo Sun e a favor dos ataques contra o Rio Xingu. Os parlamentares acionaram as forças policiais contra os indígenas que se dirigiam à Câmara dos Vereadores, mas estes conseguiram adentrar a Casa e efetivar suas denúncias.
24 de março de 2026
Ao alcançar a marca de 1 mês de ocupação, o Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIXM), em conjunto com movimentos sociais aliados, realizaram uma marcha em Altamira para relembrar os 30 dias de luta contra a Belo Sun e também como forma de pressionar os vereadores locais. A marcha começou às 9h da manhã, no Calçadão das Lojas Americanas, e se dirigiu até à Câmara dos Vereadores de Altamira com o objetivo de conseguir uma reunião formal com os parlamentares. Entretanto, os manifestantes foram barrados de entrar no recinto pela Polícia Militar, pela Guarda Municipal e pela guarda patrimonial da Casa.

No instante em que ocorreu o embate, os manifestantes, ao mesmo tempo em que gravaram diversos vídeos de denúncia contra a intransigência e o autoritarismo dos vereadores, conseguiram romper com o cordão de isolamento das forças de proteção e adentraram na Câmara dos Vereadores, ocupando o plenário e expondo os já conhecidos males do projeto à cidade, além de escancarar a subserviência dos parlamentares aos interesses da multinacional mineradora. Um dos vereadores declarou em frente às câmeras que não poderia opinar sobre a questão das atividades da mineradora, pois não leu o projeto, gerando uma intervenção de Cristian Arapiun, estudante de cinema na Universidade Federal do Pará (UFPA) e um dos manifestantes presentes, o qual apontou a falta de seriedade do vereador ao tratar do tema.
O constrangimento que os povos indígenas levaram a cabo hoje reafirma a necessidade de amparar as demandas populares no poder da classe trabalhadora organizada, que não pode esperar a boa vontade do poder público para realizar suas necessidades históricas.
Ainda hoje, em paralelo à ocupação, foi aceito pela Câmara dos Vereadores de Santarém o processo de cassação do parlamentar Malaquias Mottin, o qual deverá ter seu destino político decidido em até 50 dias. Mottin, durante a ocupação da Cargill, atropelou vários manifestantes como forma de intimidar o protesto dos povos indígenas contra a privatização dos rios ainda nos estertores da luta contra o Decreto Federal 12.600. Este exemplo não está em nada deslocado com as lutas atuais; se trata da consequência lógica da radicalidade política dos povos indígenas
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