Boletim de ocupação indígena contra a Belo Sun - Altamira (Dia 31)
A classe política e empresarial de Altamira começa a responder à pressão dos povos indígenas, a partir de um tom morno e pretensamente conciliador, como forma de apaziguar a luta dos povos originários.
25 de março de 2026
Após a entrada dos povos originários no plenário da Câmara dos Vereadores de Altamira (PA), fato ocorrido durante o ato que marcou os 30 dias de ocupação, a classe política e empresarial de Altamira iniciou uma reação contra a ofensiva indígena, em uma clara tentativa de descredibilizar as demandas populares e dividir a classe trabalhadora local.
O vereador Mayckon Pontes (PSD), que também é vice-presidente da Câmara, gravou um vídeo se dizendo "contra a violência" e "a favor do diálogo", e que está cobrando a realização de uma audiência pública que ouça a mineradora Belo Sun e os povos indígenas, apostando em uma suposta equidade perante a lei e à opinião pública. Além de sugerir, implicitamente, uma selvageria por parte dos povos indígenas (dado seus reiterados apelos à um diálogo ideal), Pontes acaba por naturalizar a exploração econômica e ambiental ao defender a resolução do conflito via audiência pública, colocando um povo historicamente violentado contra uma empresa multinacional com amplo acesso aos aparelhos ideológicos de dominação
Em paralelo, o próprio presidente da Belo Sun divulgou uma carta pública defendendo a lisura do processo de licenciamento ambiental e afirmando que a empresa cumpriu à risca as determinações da Convenção 169 da OIT, que inclui a realização da chamada Consulta Prévia, Livre e Informada com os povos originários. A carta se trata de uma dupla tentativa de desmoralização: primeiro, ao tentar sugerir que os indígenas que estiveram em Altamira no dia 24 eram uma minoria que não condiz com a suposta aprovação da maioria; e em segundo, por legitimar um instrumento pretensamente imparcial, mas o qual cujos consultantes podem ser coagidos a aceitar através de pressões econômicas, lobby midiático e até ameaça de morte. Esta é a crítica, por exemplo, dos povos indígenas equatorianos aos processos de consulta ocorridos nos anos 2000, conforme explica a pesquisadora Isabella Figueroa.
Fica claro, portanto, que a pressão dos povos indígenas está surtindo efeito na classe política e empresarial da região de Altamira, e que a resposta destes, algo "conciliatória" e apelando a uma racionalidade impossível de ser executada, é a primeira tentativa de mediação do conflito para saírem sem grandes perdas de um processo econômico cujo custo cada vez mais pende para a burguesia e não para os povos indígenas.
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