Contra o aumento da tarifa: transporte não é mercadoria! Por um sistema 100% público e Passe Livre universal!
O Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e a União da Juventude Comunista (UJC) em Maringá (PR) manifestam seu repúdio ao aumento da tarifa do transporte coletivo para R$ 5,80, imposto pela Prefeitura Municipal sob a justificativa de recompor os custos do sistema. O reajuste de 11,5% representa mais um ataque ao orçamento da classe trabalhadora maringaense, da juventude e dos setores populares, que dependem diariamente dos ônibus para acessar o trabalho, a escola, a universidade, os serviços públicos e os espaços de lazer.
O aumento ocorre em um momento em que a própria Prefeitura anuncia que destinará aproximadamente R$ 60 milhões em recursos públicos ao sistema de transporte coletivo em 2026. Os dados divulgados pela administração municipal revelam uma contradição evidente, caracterizada pelo fato de que, enquanto os empresários seguem controlando a operação e preservando suas taxas de lucro, o financiamento do sistema é cada vez mais socializado entre o Estado e a população trabalhadora.
A chamada tarifa técnica chega a R$ 9,35 por passageiro. Desse total, R$ 3,55 serão pagos diretamente pelo município por meio de subsídios e R$ 5,80 sairão do bolso das trabalhadoras e dos trabalhadores maringaenses. Em outras palavras, a população trabalhadora paga duas vezes pelo mesmo serviço: primeiro por meio dos impostos que financiam os subsídios às concessionárias privadas; depois, ao desembolsar uma das tarifas mais caras do interior do Paraná para conseguir se deslocar.
Esse modelo evidencia o fracasso da lógica privatista. As empresas privadas recebem recursos públicos crescentes, mas continuam operando segundo a lógica do lucro, enquanto as trabalhadoras e os trabalhadores maringaenses enfrentam tarifas elevadas, longos deslocamentos e um sistema incapaz de atender plenamente às necessidades do município.
Não se trata de um problema exclusivo de Maringá. Em todo o país, a crise do financiamento do transporte coletivo tem levado governos a ampliarem os subsídios públicos para manter a rentabilidade das concessionárias. Em vez de romper com esse modelo, transfere-se cada vez mais dinheiro público para empresas privadas, preservando um sistema em que os riscos são socializados e os lucros permanecem privados.
Para o PCBR e a UJC, essa política aprofunda o parasitismo sobre o fundo público. Se a maior parte dos custos do transporte já é financiada pela sociedade, não existe qualquer justificativa para que sua operação permaneça subordinada aos interesses empresariais.
O transporte coletivo é uma condição indispensável para o exercício de diversos direitos sociais assegurados pela Constituição Federal de 1988. Sem mobilidade, trabalhadoras e trabalhadores têm dificuldades para acessar seus empregos, estudantes abandonam cursos, famílias reduzem seu acesso à saúde, à cultura e ao lazer. Transformar esse direito em mercadoria significa limitar a circulação da população conforme sua capacidade de pagamento.
O reajuste para R$ 5,80 demonstra que a política de concessões privadas chegou aos seus limites. Um trabalhador que utiliza duas passagens por dia durante os dias úteis do mês compromete uma parcela significativa de sua renda apenas para se deslocar. Para milhares de jovens, desempregados e trabalhadores informais, esse custo representa uma barreira concreta ao acesso à cidade.
Por isso, nós do PCBR e da UJC defendemos uma ruptura com esse modelo.
É preciso anular e reverter as privatizações, concessões e parcerias que transformam recursos públicos em fonte permanente de lucro para grupos empresariais. Defendemos a estatização integral do transporte coletivo, sob propriedade pública, planejamento democrático e controle social exercido pelas trabalhadoras e pelos trabalhadores do setor e pela população usuária do sistema.
A defesa do Passe Livre universal não pode servir para ampliar os subsídios às empresas privadas. A gratuidade deve estar vinculada à construção de um sistema inteiramente público, financiado pelos recursos do Estado e pela tributação do grande capital, garantindo que a mobilidade seja tratada como um direito social e não como uma mercadoria.
A luta pelo transporte público integra a luta mais ampla pela nacionalização e controle 100% público dos setores estratégicos da economia, incluindo bancos, sistema financeiro, mineração, petróleo, energia elétrica, malhas de transporte, portos, aeroportos, saneamento e comunicações. O transporte coletivo não pode permanecer subordinado aos interesses daqueles que lucram com uma necessidade básica da classe trabalhadora.
Convocamos a classe trabalhadora, a juventude, o movimento estudantil, os sindicatos e os movimentos populares de Maringá a se organizarem contra o aumento da tarifa e pela construção de um sistema de transporte verdadeiramente público.
Nenhum centavo do fundo público para enriquecer os empresários do transporte!
Pela estatização do transporte coletivo!
Pelo Passe Livre universal!
Transporte é direito, não mercadoria!