Intervenção da União da Juventude Comunista (UJC Brasil) no Festival KNE-ODIGITIS 2026
A UJC Brasil defendeu, no Festival KNE-Odigitis 2026, o fortalecimento do marxismo-leninismo e do Movimento Comunista Internacional diante da ofensiva do capital, da falseada polarização eleitoral no Brasil e dos riscos de guerra imperialista
Camaradas,
em nome da União da Juventude Comunista do Brasil, começamos expressando a honra de podermos participar do Seminário Internacional do Festival Odigitis de 2026. Estar reunidos com diversas outras juventudes de partidos comunistas, representando os comunistas do Brasil, e debatendo quais os desafios e rumos de nossa luta internacional é extremamente importante para nós. Também agradecemos à KNE pela oportunidade de participar de mais uma edição do festival, a que temos comparecido nos últimos anos e por continuar organizando espaços internacionais que permitam o encontro, o fortalecimento de laços e, principalmente, a aproximação política entre partidos marxistas-leninistas do mundo. Podemos afirmar por nós, da UJC Brasil, mas acreditamos que falamos em nome de todos os presentes quando dizemos que esses espaços são de grande proveito para nós, para nossa organização e para o movimento comunista.
A conjuntura no Brasil tem trazido grandes desafios, que não deixaram intactos nosso Partido e nossa Juventude. Vivemos um cenário de intensos ataques do grande capital monopolista e dos governos burgueses, com destaque para amplos processos de privatização, subsídios governamentais para o grande capital nacional e internacional e austeridade fiscal generalizada. Os maiores afetados com isso são os trabalhadores e outras camadas exploradas e oprimidas da sociedade.
É nessa conjuntura que vão acontecer as eleições burguesas no Brasil neste ano. Ao nosso Partido, não é permitido participar com candidatos próprios nas eleições, devido à antidemocrática e restritiva legislação burguesa. A falseada polarização que se apresenta no cenário é entre a gestão social-liberal de Lula e o reacionarismo de Flávio Bolsonaro, nenhuma das quais apresenta qualquer solução para os problemas contemporâneos da classe trabalhadora. Apesar dos diferentes métodos de que cada um faz uso, ambos os candidatos não apenas aceitam como ativamente implementam uma gestão voltada aos interesses burgueses e, por consequência, de derrotas aos trabalhadores. As pressões para o apoio aos social-liberais e social-democratas aumentaram muito, e nosso Partido tem experimentado uma evasão de militantes que abandonam a luta de classes e vão rumo à conciliação de classes. O CC do PCBR, junto à UJC, cometeu erros no passado recente em não estabelecer com mais clareza uma linha demarcatória entre a linha revolucionária e as expressões do oportunismo na política brasileira, e agora tem trabalhado para corrigir esses erros.
Mesmo nessa conjuntura desafiadora àqueles que buscam fazer avançar o programa e o trabalho comunista, as contradições do capitalismo no Brasil se agudizam e jamais deixarão de existir, de modo que o proletariado brasileiro, assim como a juventude, segue dando mostras de seu potencial revolucionário e sua disposição para a luta. Neste ano, contra as políticas de austeridade e os arrochos salariais, tivemos greves de estudantes, professores, petroleiros e ferroviários e, neste momento, estão em ação greves nacionais dos trabalhadores dos Correios e de trabalhadores bancários; esses últimos não tinham uma greve nacional há 10 anos. A UJC e o PCBR seguem organizando e contribuindo para o desenvolvimento dessas lutas com uma orientação de classe clara e buscando a construção e inserção do Partido nos setores estratégicos do proletariado.
Nesse cenário de embates ideológicos, mas em que há luta dos trabalhadores, reafirmar os princípios do marxismo-leninismo para a atuação junto a nossa classe, temos buscado desenvolver ideologicamente os nossos quadros. O trabalho ideológico do Partido foi reforçado com uma nova edição de O Que Fazer?, de Vladimir Lênin, e nosso Partido se prepara para lançar sua própria revista teórico-política, de modo a reforçar o combate às perspectivas burguesas e pequeno-burguesas no seio do nosso movimento e do movimento dos trabalhadores em geral.
Esses processos não são exceções em nível global. Analisamos cientificamente a realidade e a dinâmica das contradições interimperialistas na atualidade, buscando compreender como o proletariado pode dar suas próprias respostas à crise capitalista – respostas que apontem para a superação do capitalismo e a construção do socialismo-comunismo. Estamos bastante certos, por causa dessas análises, de que a agudização dos conflitos interimperialistas e a escalada deles a conflitos militares (Palestina, Irã, Venezuela, Líbano) deve ser oposta pela força organizada da classe trabalhadora, e não marchando sob a bandeira da burguesia de qualquer um desses países. É nesse sentido que nos solidarizamos e, ao mesmo tempo, demonstramos grandes preocupações com os rumos mais recentes da Revolução Cubana, em que mudanças legislativas recentes tendem a restabelecer de forma mais presente as relações capitalistas de produção e minar o desenvolvimento do socialismo cubano.
Contra essas ameaças – particularmente, a de uma guerra imperialista generalizada –, opomos a construção de um forte Movimento Comunista Internacional. Temos construído em nosso continente aproximações e coordenações entre Partidos para podermos aprofundar as relações e a luta comunista, em condições muito desvantajosas. Não será abrindo mão de nossa teoria, de nossa estratégia, de nosso programa que poderemos dar respostas aos trabalhadores no mundo todo. Ao contrário, só poderemos fazê-lo mantendo alta a bandeira do marxismo-leninismo e do socialismo-comunismo como solução para os trabalhadores e os povos do mundo todo.
Não há atalhos para a luta revolucionária. Em um processo de correção de nossos erros, estamos retomando o caminho apresentado no XVII Congresso (Extraordinário) realizado em 2024. Nossa participação em espaços como este Festival não é apenas um compromisso com isso, mas responde ao nosso desejo de aprender com a experiência internacional das Juventudes Comunistas, para desenvolver nossa maior contribuição aos trabalhadores do mundo todo: a Revolução Socialista no Brasil.
Vivam as Juventudes Comunistas!
Viva o marxismo-leninismo!
Viva o Festival KNE-Odigitis!
INTERVENTION BY THE COMMUNIST YOUTH UNION (UJC BRAZIL) AT THE KNE-ODIGITIS FESTIVAL 2026
Comrades,
on behalf of the Communist Youth Union of Brazil, we begin by expressing our honor at being able to participate in the International Seminar of the 2026 Odigitis Festival. Being gathered with various other youth organizations of communist parties, representing the communists of Brazil, and discussing the challenges and directions of our international struggle is extremely important to us. We also thank the KNE for the opportunity to take part in another edition of the festival, which we have attended in recent years, and for continuing to organize international spaces that allow for encounter, the strengthening of ties, and, above all, political rapprochement between Marxist-Leninist parties around the world. We can speak for ourselves, for UJC Brazil, but we believe we speak on behalf of everyone present when we say that these spaces are of great value to us, to our organization, and to the communist movement.
The current conjuncture in Brazil has brought great challenges, which have not left our Party and our Youth unscathed. We are living through a scenario of intense attacks by big monopoly capital and the bourgeois governments, marked especially by extensive privatization processes, government subsidies for big national and international capital, and generalized fiscal austerity. Those most affected by this are the workers and other exploited and oppressed layers of society.
It is within this conjuncture that the bourgeois elections in Brazil will take place this year. Our Party is not permitted to run its own candidates in the elections, due to the anti-democratic and restrictive bourgeois legislation. The false polarization presented in this scenario is between the social-liberal administration of Lula and the reactionarism of Flávio Bolsonaro, neither of which offers any solution to the contemporary problems of the working class. Despite the different methods each employs, both candidates not only accept but actively implement governance aimed at bourgeois interests and, consequently, defeats for the workers. Pressures to support the social-liberals and social democrats have increased greatly, and our Party has experienced an exodus of militants who abandon class struggle and move toward class conciliation. The CC of the PCBR, together with the UJC, made mistakes in the recent past by failing to establish, with greater clarity, a demarcating line between the revolutionary line and the expressions of opportunism in Brazilian politics, and it has now been working to correct these mistakes.
Even in this challenging conjuncture for those seeking to advance the communist program and work, the contradictions of capitalism in Brazil are sharpening and will never cease to exist, such that the Brazilian proletariat, as well as its youth, continues to show signs of its revolutionary potential and its willingness to struggle. This year, against austerity policies and wage squeezes, we had strikes by students, teachers, oil workers, and railway workers, and, at this very moment, national strikes by postal workers and bank workers are underway; the latter had not held a national strike in 10 years. The UJC and the PCBR continue organizing and contributing to the development of these struggles with a clear class orientation, seeking to build and embed the Party within the strategic sectors of the proletariat.
In this scenario of ideological confrontation, but one in which the workers are struggling, reaffirming the principles of Marxism-Leninism for our work alongside our class, we have sought to ideologically develop our cadres. The Party's ideological work has been reinforced with a new edition of What Is To Be Done?, by Vladimir Lenin, and our Party is preparing to launch its own theoretical-political journal, so as to reinforce the fight against bourgeois and petty-bourgeois perspectives within our movement and within the workers' movement in general.
These processes are not exceptions at the global level. We scientifically analyze reality and the dynamics of contemporary inter-imperialist contradictions, seeking to understand how the proletariat can give its own answers to the capitalist crisis – answers that point toward overcoming capitalism and building socialism-communism. Based on these analyses, we are quite certain that the sharpening of inter-imperialist conflicts and their escalation into military conflicts (Palestine, Iran, Venezuela, Lebanon) must be opposed by the organized force of the working class, and not by marching under the flag of the bourgeoisie of any of these countries. It is in this spirit that we express our solidarity while also voicing great concern about the most recent direction of the Cuban Revolution, in which recent legislative changes tend to more prominently re-establish capitalist relations of production and undermine the development of Cuban socialism.
Against these threats – particularly that of a generalized imperialist war – we counterpose the building of a strong International Communist Movement. On our continent, we have been building rapprochements and coordination between Parties in order to deepen relations and communist struggle, under highly disadvantageous conditions. It will not be by giving up our theory, our strategy, our program that we will be able to give answers to workers throughout the world. On the contrary, we can only do so by holding high the banner of Marxism-Leninism and of socialism-communism as the solution for the workers and peoples of the entire world.
There are no shortcuts to revolutionary struggle. In a process of correcting our mistakes, we are resuming the path set out at the (Extraordinary) 17th Congress held in 2024. Our participation in spaces such as this Festival is not only a commitment to that, but also responds to our desire to learn from the international experience of the Communist Youth organizations, in order to develop our greatest contribution to the workers of the entire world: the Socialist Revolution in Brazil.
Long live the Communist Youth organizations! Long live Marxism-Leninism! Long live the KNE-Odigitis Festival!