Nota em solidariedade às famílias e aos trabalhadores atingidos pelo tornado em Maringá (PR)

Na madrugada de sábado para domingo (01/11), um tornado atingiu a cidade de Maringá (PR), arrancando árvores pelas raízes, bloqueando vias, destruindo estruturas e interrompendo o fornecimento de água e energia em diversas partes do município.

Nota em solidariedade às famílias e aos trabalhadores atingidos pelo tornado em Maringá (PR)

Na madrugada de sábado para domingo (01/11), um tornado atingiu a cidade de Maringá (PR), arrancando árvores pelas raízes, bloqueando vias, destruindo estruturas e interrompendo o fornecimento de água e energia em diversas partes do município. Mais de 48 horas após o ocorrido, diversas regiões ainda enfrentam problemas de abastecimento. A Prefeitura Municipal de Maringá declarou estado de calamidade pública na manhã de domingo, mobilizando voluntários, trabalhadores e pessoas privadas de liberdade para as ações de limpeza e recuperação da cidade.

Nós, do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e da União da Juventude Comunista (UJC), prestamos irrestrita solidariedade às famílias e pequenos negócios atingidos pelo tornado. Destacamos também nosso apoio aos estudantes do Centro Acadêmico de História (CAHNAC), ao Centro Acadêmico de Ciências Biológicas (CACIBI) e ao Centro Acadêmico de Engenharia Civil (CAEC) que tiveram seus espaços dentro da Universidade destruídos nessa noite.

O agravamento da crise climática não pode ser compreendido como uma sucessão de fenômenos naturais isolados. Trata-se de uma expressão do rompimento sociometabólico provocado pela dinâmica de exploração do capitalismo em sua fase imperialista, que subordina a natureza às necessidades de reprodução e acumulação do capital.

A expansão predatória do agronegócio, do capital minerário, das grandes obras de infraestrutura e da exploração privada dos recursos naturais intensifica a degradação ambiental e compromete as condições de reprodução da vida no planeta. Nesse contexto, os fenômenos climáticos extremos tornam-se cada vez mais frequentes e intensos, enquanto o Estado burguês, subordinado aos interesses do capital, negligencia investimentos em planejamento urbano, infraestrutura de prevenção e adaptação e políticas de proteção social.

Em uma região marcada pela exploração predatória do agronegócio, o que emerge da destruição é um retrato claro de como a crise climática deixou de ser uma projeção futura para se tornar uma realidade imediata e letal. Diante de um planeta em desequilíbrio, são os fenômenos extremos que tornam-se a norma, consequência de décadas de emissões descontroladas e da negligência histórica do Estado burguês, um aparato que, subordinado aos interesses do capital, sistematicamente se recusa em investir em planejamento urbano popular, em infraestrutura de adaptação e em proteção social para os mais vulneráveis.

Enquanto a Amazônia pega fogo e povos originários são massacrados no Centro-Oeste, o Sul depara-se cada vez mais com chuvas intensas, tempestades rigorosas e tornados, que aumentam a insegurança das famílias trabalhadoras presentes nesses territórios. As lideranças políticas parecem não levar a sério a realidade climática que nos encontramos sob o regime capitalista: seja na esfera federal, com o Governo Lula tentando privatizar rios e entregando a mineração das terras raras para empresas estrangeiras parasitárias, seja na esfera municipal, com o investimento da família Barros para a construção de um datacenter na nossa cidade que irá, certamente, desbalancear ainda mais o cenário climático da região.

A solidariedade às famílias e estudantes atingidos precisa se traduzir em um compromisso político com a reconstrução da cidade e com a proteção de sua população. Exigimos investimentos públicos em infraestrutura urbana, prevenção de desastres, fortalecimento da defesa civil, recuperação dos espaços comunitários e assistência às famílias e pequenos comerciantes prejudicados. A crise climática exige uma transformação profunda da relação entre sociedade e natureza, incompatível com a lógica de exploração e acumulação do capital. 

Não há futuro para a humanidade sob a subordinação da vida aos interesses do lucro!