Nota política - Contra a perseguição aos Servidores Públicos municipais: Reversão imediata das demissões dos dirigentes sindicais, já!

O Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) se coloca ao lado de todas e todos os servidores públicos de Salvador e de seus dirigentes demitidos.

Nota política - Contra a perseguição aos Servidores Públicos municipais: Reversão imediata das demissões dos dirigentes sindicais, já!

Nota política do PCBR e da UJC em Salvador e Região Metropolitana

Na última quinta-feira, dia 19 de fevereiro, ficamos cientes da demissão dos trabalhadores Bruno Carianha, Marcelo da Rocha e Helivaldo Passos, o Alemão, membros diretores do Sindicato dos Servidores da Prefeitura do Salvador (SINDSEPS). Essa ação, publicada no Diário Oficial do Município, é um contra-ataque da Prefeitura de Salvador às lutas dos professores e servidores públicos do ano passado, onde os trabalhadores reivindicaram reajustes salariais de 25%.

Essas demissões não são motivadas por descumprimento do serviço, ou mesmo por critérios objetivos e bem embasados. Não houve ato ilícito, apenas o exercício da atividade sindical. As demissões são tão somente uma tentativa de passar um recado aos trabalhadores de Salvador, que não devem se rebelar contra empregos mal remunerados e em cargas de trabalho extenuantes. É necessário relembrar, por exemplo, que os professores encerraram a greve somente após a Prefeitura ameaçar de demissão alguns profissionais em estágios probatórios e contratados via Regime Especial de Direito Administrativo (REDA), aqueles mais precarizados e sem estabilidade em seus trabalhos, ao publicarem seus nomes no Diário Oficial do Município. Esse tem sido o modus operandi de Salvador e de tantas outras prefeituras da Bahia, além do próprio governo do estado, evitando fazer concursos públicos, dificultando cada vez mais as possibilidades de articulação dos trabalhadores para a conquista de melhorias.

Diante das lutas intensas do ano passado, onde os professores ficaram 74 dias em greve e os demais servidores municipais por 17 dias, a Câmara Municipal de Salvador foi forçada a entrar em votação sobre o reajuste dos trabalhadores. Dos 25% exigidos pela categoria, o reajuste foi aprovado para 4,83%, sem consulta, sem qualquer espaço de negociação. Tentando de todas as formas fechar as portas da Câmara para os servidores manifestantes do lado de fora.

A atitude dos vereadores aliados da atual gestão não poderia ter sido respondida à altura de outro modo pelos servidores: Liderados por Bruno Carianha, os trabalhadores ocuparam o plenário e tomaram o microfone das mãos do vereador Sidninho (PP). A confusão ainda contou com vereadores agredindo trabalhadores, como o empurrão de Maurício Trindade (PP) em Bruno, além da posterior prisão do dirigente sindical.

O mais curioso em toda essa ocasião é que as demissões surgiram no mesmo momento em que foi publicado o reajuste salarial do prefeito e seus lacaios. Questionamos ao Prefeito Bruno Reis (UB) o porquê de sancionar um reajuste para si próprio, a vice-prefeita, vereadores e seus secretários, todos superando uma correção na casa dos R$ 6,000, enquanto se nega a pagar o piso salarial dos professores em Salvador. O que faz um prefeito precisar de R$ 32 mil reais de salário que já não faria com obscenos R$ 26 mil? Como você tem a coragem de bradar que Salvador não possui dinheiro para ampliar o salário de trabalhadores que não chegam a ganhar 3 mil reais em média?

A ação da Prefeitura de Salvador ao demitir trabalhadores em cargos que não ultrapassam os R$ 3 mil deve ser denunciada como um movimento criminoso de destruição de famílias e de uma rasteira política da mais baixa em relação aos servidores públicos soteropolitanos. Somos nós, trabalhadoras e trabalhadores, que sabemos o custo de vida de sustentar as nossas casas, nossos filhos. Sabemos o desgaste necessário para levar a comida para casa, de procurar um lar com mínima dignidade para morar. Além de nós, habitantes de Salvador, perdermos em termos de organização dos trabalhadores e da qualidade no serviço municipal com a demissão dos dirigentes sindicais, individualmente eles estão perdendo também a possibilidade de assegurar condições de vida aos seus familiares.

A prática criminosa do carlismo de destruição de famílias inteiras em razão das divergências políticas, nas últimas décadas, só mudou de forma. O conteúdo antitrabalhador é o mesmo. A ameaça aos professores REDA no ano passado e as demissões de servidores públicos agora revelam o controle do aparato estatal utilizado para perseguir trabalhadores que ousam melhorar suas condições de vida por meio da luta sindical. Sai de cena o velho, entram nos holofotes os garotos de sapatênis, o “carlismo gourmet”,  o “pivete do Calabar”.

Como apontou Carianha, em vídeo publicado no dia 20 de fevereiro, haverá luta por reajustes salariais em 2026 e pela reversão dessas demissões antidemocráticas e persecutórias. É dever de todos os trabalhadores soteropolitanos se colocarem em movimento para responder ao carlismo e aos seus cúmplices que não mais aceitarão dessa administração a precarização de suas vidas em prol da família Magalhães e um punhado de empresários aliados. Essa luta agora é parte fundamental das lutas de reorganização das condições de trabalho que defendem os comunistas em todo o país.

O Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) se coloca ao lado de todas e todos os servidores públicos de Salvador e de seus dirigentes demitidos. Estaremos nas ruas tanto em lutas futuras da campanha salarial de 2026, como agora pela reversão das demissões de Bruno, Marcelo e Alemão. No dia 3 de março, haverá o primeiro ato contra as demissões, na Quadra dos Bancários. É fundamental fortalecer essa mobilização, ampliar a solidariedade e mostrar que não aceitaremos ataques aos direitos e à organização da classe trabalhadora.