Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 22)
Lideranças indígenas retornam a Santarém e reforçam a ocupação contra a privatização do Tapajós. Tensões com o governo em Brasília, movimento rejeita decreto “com condicionantes”, amplia articulação entre bacias e mantém pressão pela revogação do decreto 12.600/2025.
12 de fevereiro de 2026
As lideranças indígenas e populares do Baixo Tapajós que estiveram em Brasília já retornaram à ocupação no terminal da Cargill, em Santarém (PA), onde reforçam a articulação política e a mobilização contra a privatização dos rios amazônicos.
Durante a agenda na capital federal, foram recebidas por parlamentares do PSOL, PT e Rede, além da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A Funai passou a prestar apoio institucional e recursos para fortalecer as mobilizações. Também foi confirmada uma audiência pública federal para o dia 24 de fevereiro, após o Carnaval, que debaterá os impactos do Decreto nº 12.600/2025 e dos projetos de dragagem e concessão dos rios.
Já de volta ao território, as lideranças participaram de reunião com representantes e parentes das bacias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. O encontro reuniu indígenas e movimentos sociais de diferentes regiões da Amazônia e até de outros estados afetados pelo avanço do agronegócio e da logística da soja.
A avaliação comum é de que a privatização dos rios e sua transformação em hidrovias atende a interesses do agro transnacional e ameaça modos de vida, territórios e economias locais em toda a região Norte.
Segundo relato de lideranças presentes na ocupação, houve momentos de tensão nas reuniões com representantes do governo federal. Em um dos encontros, representantes da Secretaria-Geral apresentaram como proposta a revogação do decreto acompanhada da elaboração de um novo texto com condicionantes.
Diante da tentativa de construção de um acordo sem garantia de revogação definitiva do projeto de privatização, as lideranças decidiram suspender a reunião e se retirar, reafirmando que não aceitarão substituições que mantenham a lógica de concessão e dragagem dos rios.
A leitura do movimento é de que o governo busca ganhar tempo, enquanto a mobilização exige a revogação integral do Decreto nº 12.600/2025 e a garantia dos direitos dos povos indígenas e das populações ribeirinhas.
A ocupação segue em resistência no porto da Cargill, reunindo povos indígenas, juventude e movimentos sociais. A mobilização se amplia em toda a região: pela revogação do decreto, contra a privatização dos rios e pela soberania dos povos sobre seus territórios.