Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 34)

Após a revogação do Decreto 12.600/2025, a ocupação no terminal da Cargill inicia desmobilização organizada. Com inspeção prevista e saída articulada, o movimento encerra um ciclo vitorioso, mantendo articulação política e organização nos territórios.

Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 34)
Foto: Igor Teixeira/PCBR.

24 de fevereiro de 2026

Após a conquista da revogação do Decreto nº 12.600/2025, a ocupação no terminal da Cargill entra em fase de desmobilização organizada. Em reunião geral realizada hoje, com participação presencial e on-line, foi discutido o processo de saída do local. A estimativa é que até amanhã a área esteja completamente desocupada.

No início da tarde de hoje, estava prevista a presença de agentes para realizar inspeção e registro da situação das instalações, com acompanhamento de lideranças. A entrada do terminal começou a ser liberada gradualmente, e uma avaliação estrutural deve anteceder a finalização da desocupação.

A saída está sendo organizada com apoio logístico para garantir o retorno seguro dos parentes às suas aldeias, por meio de ônibus e embarcações. O encerramento da ocupação ocorre após semanas de intensa mobilização, articulação política e resistência coletiva.

Mesmo com a decisão de desocupar, o território segue sendo espaço de encontro e articulação. Nesta tarde, uma assembleia sobre educação indígena reuniu grande participação, demonstrando que a mobilização vai além da pauta imediata. O momento tem sido aproveitado para alinhar temas estratégicos para as aldeias e territórios.

O sentimento é misto: há satisfação pela conquista política alcançada e, ao mesmo tempo, frustração por encerrar uma experiência coletiva que se transformou em verdadeira aldeia de resistência. Durante mais de um mês, o espaço foi local de formação, cultura, debate e fortalecimento entre povos e movimentos.

A desocupação não representa o fim da luta. Marca o encerramento de um ciclo vitorioso e a abertura de uma nova etapa de organização nos territórios. O movimento sai do terminal com a experiência acumulada, alianças fortalecidas e a certeza de que a mobilização popular foi decisiva.