A posição do PCBR nas eleições de 2026 na Paraíba

A posição do PCBR nas eleições de 2026 na Paraíba
Nota política do PCBR na Paraíba

As eleições de 2026 se inserem em um contexto de agudização das disputas imperialistas, de ofensiva da burguesia e da extrema-direita contra a classe trabalhadora e o povo oprimido, através do ajuste fiscal, cortes de gastos, arrocho salarial, privatização dos bens e serviços públicos, etc, aumento do feminicídio e da violência policial, sobretudo contra a população negra, etc. 

Nacionalmente, compreendemos que a falsa polarização entre a Frente Ampla e a extrema-direita não aponta para uma alternativa consequente com as necessidades do povo trabalhador. A nota política “Construir a unidade entre a esquerda revolucionária, rejeitar as vacilações ao social-liberalismo”, do Comitê Central do PCBR, aponta qual é a leitura dos comunistas sobre a disputa nacional.

Na Paraíba, a disputa se dá em um contexto de dominação política da direita e da extrema-direita desde os últimos pleitos, ao mesmo tempo em que se observa a diminuição da capacidade de intervenção da esquerda - seja ela revolucionária ou social-liberal - tanto no movimento de massas como nas eleições burguesas.

Isso se expressa, por exemplo, no fato de que organizações como o PT, PSOL, PSTU e PCB não lançaram candidaturas próprias e competitivas ao executivo estadual, cuja disputa está marcada por candidaturas oligárquicas da direita e da extrema-direita, como as de Cícero Lucena (MDB), Lucas Ribeiro (PP) e Efraim Filho (PL). Para o governo, a esquerda revolucionária está representada pela candidatura de Yuri Ezequiel (UP), a única desse campo.

A candidatura de Cícero Lucena (MDB) é apoiada por uma fração da burguesia que comanda as empresas da construção civil no Estado, o que se reflete na postura alinhada dele, enquanto prefeito de João Pessoa, aos interesses do grande capital, através de medidas como a implementação da Zona Azul (estacionamento pago em vias públicas), a precarização do transporte público e o aumento nas passagens (que hoje chega à R$ 5,45), a negligência em relação ao saneamento público que causou graves danos à orla da capital, etc. 

Lucas Ribeiro (PP), candidato da Frente Ampla apoiado por Lula e favorito à reeleição, se apresenta como uma alternativa à Cícero Lucena, ainda que também represente os interesses do grande capital e das oligarquias locais: vale lembrar que o domínio político dos Ribeiro na Paraíba remonta ao período da ditadura empresarial-militar, sendo uma família de latifundiários que construiu uma carreira na política através do ARENA, se aproveitando do alinhamento político com o governo militar de Ernesto Geisel e atuando em conjunto ao regime ditatorial para oprimir as lutas camponesas.

Por sua vez, Efraim Filho (PL) é, além de descendente de uma oligarquia local, a candidatura oficial da extrema-direita e do bolsonarismo no estado. Ele se apresenta como alguém de “fora do sistema”, que busca o confronto com a institucionalidade burguesa, mas também tem uma postura integralmente subserviente ao grande empresariado, além de agitar pautas conservadoras e reacionárias, seja ao defender um modelo de segurança pública baseado na violência policial ou ao se posicionar de forma contrária ao direito ao aborto para pessoas que gestam.

No campo da esquerda, a única candidatura para o executivo estadual é a de Yuri Ezequiel (UP), um militante orgânico, presente nas lutas operárias e populares, que demonstrou possuir independência de classe e defender a construção de uma alternativa socialista e revolucionária para o povo trabalhador da Paraíba e do Brasil.

Analisando a conjuntura estadual, entendemos que a candidatura de Yuri Ezequiel (UP - 80) é que expressa com maior clareza a oposição à extrema-direita e à Frente Ampla (que apoia a reeleição de Lucas Ribeiro), além de ser a única que verdadeiramente representa os interesses e necessidades da classe trabalhadora.

Trata-se de um apoio crítico por entendermos que, já que a Unidade Popular é uma das forças mais proeminentes da esquerda revolucionária no estado, é ela também quem tem melhores condições e a maior responsabilidade por estabelecer diálogos e pontes com as outras organizações como o PCBR, PSTU e PCB, o que nem sempre é feito, na medida em que priorizam a autoconstrução.

Precisamos fortalecer as nossas organizações, é evidente, mas também precisamos estabelecer um nível maior de diálogo, articulação e construção unitárias das lutas pelo campo da esquerda revolucionária, que possibilite a difusão de um Programa Socialista, o enfrentamento aos interesses do grande capital e a conquista de soluções reais para o sofrimento do povo trabalhador paraibano. O PCBR está disposto a contribuir, dentro de suas condições, para fortalecer o movimento revolucionário na Paraíba e desenvolver uma alternativa proletária e com independência de classe.

No caso do legislativo, embora existam, para além da direita e extrema-direita, candidaturas de organizações da esquerda social-liberal como o PT, o PCdoB e o PSOL, entendemos que todas elas estão integralmente comprometidas não com a classe trabalhadora, mas com o governo federal e com o programa econômico da burguesia aplicado por esse governo, abrindo mão da independência de classe e da construção de uma alternativa socialista.

Nesse caso, mais uma vez, as candidaturas que fogem à regra são as da Unidade Popular, que estão engajadas nos principais combates do movimento operário, sindical e popular na Paraíba, tais como: a luta pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho, a luta por moradia popular, contra o feminicídio e a opressão de gênero, pelo transporte público, gratuito e de qualidade, etc., apresentando também um Programa Socialista nessas eleições.

Por isso, convidamos os trabalhadores paraibanos a apoiarem as seguintes candidaturas socialistas e independentes para o legislativo: Rosilene Santana (UP - 800) e João Batista (UP - 801) para o senado; Isabele do Correnteza (UP - 8080) para deputada federal e Vitória Ohara (UP - 80180) para deputada estadual.

Seguindo os critérios programáticos e político-ideológicos apontados na nota política do Comitê Central, reforçamos o apoio à candidatura de Hertz Dias e Vanessa Portugal (PSTU - 16) para a Presidência da República.