Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 1.000
Mil dias após o início da guerra em Gaza, a ofensiva israelense constitui genocídio e limpeza étnica sistemáticos. Frente Popular denuncia a atuação da comunidade internacional e clama por ajuda humanitária.
FPLP: Mil dias de genocídio: a vergonha perseguirá a humanidade e seguirá uma mancha na face do direito internacional
Neste marco sangrento, após mil dias da guerra de genocídio conduzida pela ocupação sionista contra nosso povo palestino na Faixa de Gaza, a Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP) afirma que o que ocorreu e continua ocorrendo constitui um projeto sistemático de genocídio e limpeza étnica, executado diante dos olhos e dos ouvidos do mundo, com cobertura política, militar e midiática de potências internacionais que carregam total responsabilidade pela continuidade desse crime — o mais hediondo que a humanidade conheceu na era moderna. Esses mil dias de bombardeios, fome, deslocamento forçado e genocídio representaram uma tentativa de quebrar a vontade de nosso povo, impor seu deslocamento e eliminar sua causa nacional.
Diante disso, a Frente Popular pela Libertação da Palestina declara o seguinte:
Primeiro: A continuidade da guerra de genocídio por mil dias consecutivos, sem que os assassinatos, os deslocamentos forçados ou o bloqueio tenham cessado sequer por um momento, constitui uma vergonha para toda a humanidade e um escândalo moral e político que permanecerá como uma mancha negra na face do sistema internacional e de suas instituições, que fracassaram em proteger o direito internacional e a dignidade humana. Seu silêncio e sua cumplicidade contribuíram para prolongar esse crime.
Segundo: Esse genocídio não teria continuado sem a participação direta, o apoio militar e a cobertura política fornecidos pelos governos dos Estados Unidos, juntamente com a cumplicidade e a incapacidade da comunidade internacional, tornando todos eles cúmplices desse crime.
Terceiro: Os crimes de limpeza étnica contra nosso povo na Faixa de Gaza continuam, enquanto a máquina de guerra sionista prossegue sua agressão sem qualquer impedimento, como continuação da escalada criminosa iniciada há mil dias e prolongamento de décadas de ocupação desde a Nakba do povo palestino; o que mudou foram apenas os instrumentos de morte e os pretextos para a agressão.
Quarto: O que é apresentado como um "acordo de cessar-fogo" ainda não se tornou um caminho para a paz nem uma proteção para nosso povo. A ocupação buscou transformá-lo em cobertura para a continuidade da agressão sob diferentes formas, por meio da política de fome, bloqueio, bombardeios intermitentes, chantagem humanitária e terrorismo cotidiano contra civis.
Quinto: Retratar o que ocorre na Faixa de Gaza como meras "violações" ou parte de um "processo de desescalada" representa uma distorção deliberada da realidade e constitui uma cobertura política e midiática para a continuidade do crime de genocídio, numa tentativa de normalizá-lo e retirá-lo da esfera da responsabilização internacional.
Sexto: O fato de a maior parte dos esforços das partes internacionais estar voltada para pressionar o povo palestino e sua resistência a fazer mais concessões, enquanto a ocupação permanece livre para agir, apesar de declarar abertamente sua intenção de continuar a agressão e o genocídio, revela o grau de parcialidade flagrante e de duplo padrão que orienta a postura dessas partes.
Sétimo: Exigimos que a comunidade internacional, os países garantidores e os mediadores obriguem a ocupação a cessar sua agressão e alcancem um cessar-fogo imediato, abrangente e duradouro, com a entrada do comitê administrativo na Faixa de Gaza para assumir suas responsabilidades na gestão do período de transição. Isso deve incluir a abertura das passagens de fronteira, a garantia do fluxo irrestrito de ajuda humanitária e médica e a evacuação urgente de feridos e doentes para tratamento no exterior.
Oitavo: Após mil dias de resistência e sacrifícios, nosso povo palestino continua firmemente comprometido com seus direitos nacionais inalienáveis e irrenunciáveis, sobretudo o direito à autodeterminação e ao estabelecimento de um Estado palestino independente, plenamente soberano, com Jerusalém como sua capital. As políticas de genocídio, fome e chantagem não conseguirão privá-lo desses direitos nem quebrar sua vontade.
Nono: A história registra hoje cada posição, cada silêncio e cada ato de cumplicidade. O sangue de nossos mártires e a resistência de nosso povo permanecerão como uma maldição sobre os criminosos de guerra sionistas e seus apoiadores, e como um testemunho vivo desta época. A determinação de nosso povo em permanecer em sua terra e defender sua existência e seus direitos nacionais triunfará, e uma guerra de genocídio que já dura mil dias não será capaz de destruí-la nem de eliminar seu direito à liberdade, ao retorno e à independência.
Glória eterna aos nossos honrados mártires, pronta recuperação aos nossos feridos, liberdade aos nossos prisioneiros e vitória ao nosso povo e à sua resistência.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 mártires, incluindo 2 vítimas recuperadas dos escombros, e 12 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 1.059
• Total de feridos: 3.429
• Total de corpos recuperados: 788
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 73.074 mártires e 173.537 feridos desde 7 de outubro de 2023.