Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 999

Comitê para a Proteção dos Jornalistas mantém sua definição de jornalista e rejeita mudanças que poderiam acabar com a proteção de profissionais palestinos e libaneses mortos pelas forças israelenses.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 999
Reprodução: Ashraf Amra/Anadolu via Getty Images.

CPJ mantém definição de "jornalista", apesar da pressão israelense

Em 1º de julho, o Conselho Diretor do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês) votou pela manutenção de sua definição de jornalista, rejeitando alegações de que uma "revisão" de seu banco de dados teria como objetivo retirar a proteção concedida a profissionais da imprensa palestinos e libaneses mortos pelas forças armadas israelenses.

O conselho afirmou que sua política permanece inalterada e continua reconhecendo como jornalistas aqueles que trabalham para veículos estatais ou para meios de comunicação ligados a grupos armados, desde que não participem de combates nem incitem violência iminente.

O presidente do CPJ, Jacob Weisberg, rejeitou as acusações de que a organização pretendia remover jornalistas palestinos e libaneses mortos de seus registros, alertando que tais alegações comprometem anos de trabalho de documentação e colocam em maior risco os repórteres que cobrem acontecimentos no terreno.

O conselho também reafirmou seu apoio à equipe do CPJ responsável por documentar ataques contra jornalistas. "O conselho está plenamente ao lado da equipe do CPJ, cujo difícil trabalho diário de documentar ataques contra jornalistas é hoje mais importante do que nunca, bem como de todos os jornalistas injustamente difamados e caluniados por exercerem seu trabalho", declarou.

A decisão foi tomada poucos dias após a controversa saída da integrante do conselho, Dra. Nika Soon-Shiong, em 29 de junho.

Soon-Shiong relacionou sua saída repentina ao fato de ter pressionado o conselho a realizar uma votação formal sobre a redefinição de "quem é jornalista".

Embora o CPJ tenha afirmado oficialmente que seu mandato de cinco anos simplesmente havia chegado ao fim, sua saída ocorreu imediatamente após ela tornar públicas suas preocupações de que a organização estaria cedendo à pressão política para retirar a proteção de jornalistas palestinos.

Antes de deixar o cargo, Soon-Shiong manifestou-se publicamente contra a proposta e afirmou que o simples fato de reabrir a discussão sobre "quem é jornalista", após pressão política externa de grupos pró-Israel, constituía, por si só, uma "traição aos nossos colegas em Gaza, que enfrentaram o conflito mais mortal para jornalistas já registrado". Ela acrescentou: "Acusações infundadas tendem a se tornar mais frequentes, não menos; o CPJ deve se esforçar para permanecer acima dessas disputas."

Ela também destacou o que considerou um evidente duplo padrão dentro da organização. Enquanto jornalistas palestinos e libaneses que trabalham para veículos "apoiados pelo Estado" poderiam ser excluídos da proteção, jornalistas ocidentais e israelenses — inclusive aqueles que serviram diretamente nas Forças Armadas de Israel — continuariam protegidos sem o mesmo nível de escrutínio.

Em 25 de junho, o CPJ anunciou uma "revisão completa" de seu banco de dados sobre jornalistas mortos durante o genocídio de palestinos em Gaza por Israel, após "os grupos militantes Hamas e Jihad Islâmica Palestina publicarem obituários identificando como combatentes indivíduos anteriormente listados pelo CPJ como jornalistas".

Após essa revisão, 20 jornalistas palestinos foram retirados da contagem do CPJ, reduzindo o número oficial de jornalistas mortos por Israel para 209, bem abaixo dos dados apresentados por outras instituições, como o Sindicato dos Jornalistas Palestinos, que estima esse total em mais de 270.

A iniciativa de reconsiderar essas definições consolidadas teve origem em uma pressão externa contínua.

No fim de maio, veículos como o Washington Free Beacon criticaram duramente o conselho do CPJ, direcionando ataques especificamente contra Soon-Shiong por sua oposição declarada ao apartheid e por caracterizar a guerra em Gaza como um genocídio.

Segundo Soon-Shiong, a proposta de excluir jornalistas vinculados a "organizações afiliadas a grupos militantes" surgiu como resposta direta a essas publicações pró-Israel.

O escritor palestino Mohammed el-Kurd condenou a medida, classificando-a como uma "caça às bruxas covarde", destinada a satisfazer interesses da direita e reforçar as justificativas de Israel para a morte de jornalistas.

Críticos também afirmaram que essa revisão reproduz as táticas da chamada "Célula de Legitimação" das forças armadas israelenses, uma unidade especial encarregada de reunir informações para "legitimar" ou "branquear" os assassinatos seletivos de equipes de imprensa em Gaza.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 8 mártires e 26 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 1.053

• Total de feridos: 3.406

• Total de corpos recuperados: 786

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 73.066 mártires e 173.514 feridos desde 7 de outubro de 2023.