Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 938

Trabalhadores do mundo celebram a luta por direitos e dignidade. Na Palestina, a data ocorre sob guerra e destruição, enquanto trabalhadores resistem e recebem solidariedade global contra a ocupação e o genocídio.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 938
Reprodução: AP

Declaração da Frente de Ação Sindical Palestina sobre o 1º de Maio

Os trabalhadores e a classe trabalhadora em todo o mundo celebram o 1º de Maio, seu dia internacional que simboliza uma longa história de luta contra a exploração e a injustiça, e sua defesa dos direitos à liberdade, justiça e dignidade. Este dia chega enquanto os trabalhadores da Palestina o marcam sob condições excepcionais de extrema dureza, em meio a uma guerra devastadora e a um ataque sistemático às bases da vida e do trabalho.

Nesse contexto, saudamos os trabalhadores da Palestina por sua resistência, firmeza, perseverança e sacrifícios. Saudamos também os trabalhadores do mundo que continuam sua luta contra a ocupação e o racismo, e valorizamos suas posições de apoio à luta do nosso povo palestino, seja por meio de plataformas sindicais ou pelo aumento de campanhas de boicote e isolamento da ocupação. Também saudamos os trabalhadores da nossa nação árabe, que travaram, e continuam a travar, junto com seus povos, batalhas pela dignidade contra a dependência, a opressão e a corrupção, em defesa da liberdade e da justiça social.

Neste dia, o trabalhador palestino encarna um modelo excepcional de sacrifício e resistência: na Faixa de Gaza, os centros de produção – fábricas e oficinas – foram transformados em escombros; terras agrícolas foram niveladas e destruídas; agricultores e pescadores foram impedidos de exercer seu trabalho devido aos bombardeios, ao cerco sufocante e à destruição da infraestrutura produtiva, incluindo barcos e equipamentos de pesca. Essa paralisação deliberada constituiu um ataque direto à vida econômica e às condições de subsistência digna, levando a uma deterioração sem precedentes das condições de vida.

Já nas cidades e vilas da Cisjordânia, o “direito ao trabalho” tornou-se uma aventura cheia de riscos: postos de controle militares cercam os sonhos dos trabalhadores, e suas jornadas diárias se transformam em confrontos diretos com abusos e detenções. Estamos diante de uma realidade em que a ocupação busca privar o povo palestino de sua dignidade econômica, transformando a classe trabalhadora em vítima de políticas de isolamento e privação.

À sombra do 1º de Maio, afirmamos, na Frente Progressista de Ação Sindical, que as questões da classe trabalhadora palestina não podem mais ser adiadas. Elas exigem a intensificação da ação sindical organizada e a unificação de esforços para defender direitos e preservar a dignidade. A partir de nossa responsabilidade nacional e sindical, afirmamos o seguinte:

  1. A classe trabalhadora é a principal garantia da sobrevivência da sociedade e a pedra angular do processo de libertação nacional, sendo inquebrável apesar das políticas de genocídio, deslocamento e marginalização.
  2. É imprescindível construir uma estratégia nacional que integre a luta de libertação com as reivindicações sociais, adotando políticas econômicas voltadas aos pobres, que ponham fim à dependência da ocupação e enfrentem o desemprego e a pobreza entre os trabalhadores.
  3. Convocamos a reconstrução do movimento sindical sobre bases democráticas e combativas, superando divisões que enfraqueceram a posição dos trabalhadores, assegurando a independência dos sindicatos e o direito absoluto dos trabalhadores de administrá-los sem interferência política, e adotando programas alinhados com os direitos dos trabalhadores — não com interesses particulares.
  4. Exigimos que os trabalhadores da Faixa de Gaza sejam considerados “vítimas de guerra”, com prioridade em compensações e assistência emergencial, ao mesmo tempo em que se protege os trabalhadores da Cisjordânia contra intermediários de permissões e perseguições militares, garantindo seu direito a um trabalho livre e digno.
  5. Reforçamos a necessidade de uma rede abrangente de proteção social e da aplicação de leis trabalhistas justas que garantam os direitos das mulheres trabalhadoras e igualdade salarial, além de proteger jovens e recém-formados da exploração profissional.
  6. Renovamos nosso apelo aos sindicatos de trabalhadores em todo o mundo para transformar a solidariedade em ação concreta, intensificando campanhas de boicote abrangentes, isolando o sistema de ocupação e responsabilizando-o internacionalmente por seus crimes contra as pessoas e a produção.
  7. Exigimos que as autoridades oficiais continuem seus esforços para fortalecer as liberdades sindicais e assumam suas responsabilidades no apoio à resistência dos trabalhadores e das classes populares, garantindo meios de subsistência dignos e adotando programas eficazes de socorro que preservem seus direitos e aliviem suas dificuldades, especialmente diante da continuidade da guerra.

Renovamos nosso compromisso com nossa classe trabalhadora de continuar a luta pela liberdade, pelo retorno e pela independência, pela construção de nosso Estado palestino independente em todo o território nacional e pela realização da justiça social.

Viva o 1º de Maio como símbolo de luta da classe trabalhadora.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 6 mártires e 18 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 972

• Total de feridos: 2.235

• Total de corpos recuperados: 761

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.568 mártires e 172.338 feridos desde 7 de outubro de 2023.