Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 956
Relatório do ‘Conselho de Paz’ omite ataques e mortes em Gaza, atribui a crise à resistência palestina e ignora fome, bloqueio e colapso humanitário em meio à continuidade de bombardeios da ocupação a civis.
FPLP: Relatório do ‘Conselho da Paz’ reforça narrativa da ocupação
Em comentário ao documento periódico emitido pelo chamado “Órgão de Coordenação da ONU para Estabelecimento da Estabilidade” (Conselho da Paz), a Frente Popular para a Libertação da Palestina afirma que o relatório emitido pelo órgão reflete um claro viés em favor da narrativa sionista e americana.
Enquanto a ocupação fascista continua violando os entendimentos por meio de assassinatos diários e bombardeios contínuos, que já tiraram a vida de centenas de inocentes em Gaza, o relatório deliberadamente omitiu a identidade do agressor e responsabilizou as forças da resistência pelo fracasso do processo político, numa tentativa de justificar nova rodada de agressão e fornecer cobertura política e internacional para ela.
A Frente também condena a clara distorção da realidade da catástrofe humanitária no setor, já que o relatório promove uma imagem enganosa de estabilidade das condições de vida, ignorando a política sistemática de fome, o bloqueio sufocante imposto às passagens e fronteiras, e o impedimento do fluxo real de suprimentos de ajuda, reconstrução e reparação.
O tratamento seletivo do acordo, visando reformular sua agenda, ignorar suas etapas e restringir seus temas ao que se alinha com os objetivos israelenses, representa um golpe contra o próprio acordo e seus detalhes. Isso reflete uma cumplicidade explícita destinada a legitimar a continuidade da situação humanitária catastrófica na Faixa de Gaza e servir ao objetivo estratégico do governo da direita sionista de empurrar os habitantes do setor ao deslocamento forçado e esvaziar Gaza de sua população.
O relatório também ignorou as declarações da ONU e de organizações internacionais de direitos humanos que confirmam que a ocupação comete crimes de limpeza étnica e genocídio em Gaza e na Cisjordânia, enquanto continua destruindo a infraestrutura do setor e impedindo qualquer caminho real para sua administração ou reconstrução, com apoio direto da administração americana. Ao ignorar esses fatos, o relatório deixa de ser uma ferramenta que deveria contribuir para a estabilidade e se transforma em cobertura política que prolonga a agressão e o sofrimento humanitário.
A Frente conclama os países árabes e islâmicos participantes do Conselho da Paz a exercerem um papel ativo e responsável dentro das estruturas do conselho, impedindo que ele se transforme em uma plataforma para justificar a agressão ou fornecer cobertura política para a continuidade da guerra de genocídio e do bloqueio à Faixa de Gaza. Também pede que trabalhem na formulação de uma posição regional unificada que pressione pelo fim da agressão, pelo encerramento da política de fome e pela prevenção de qualquer tentativa de reproduzir a guerra ou garantir legitimidade internacional para sua continuidade.
A Frente também alerta o Conselho de Segurança da ONU contra deixar-se levar por relatórios tendenciosos que ignoram a essência da tragédia em curso, enfatizando que a verdadeira estabilidade não será alcançada pressionando a vítima ou embelezando a ocupação, mas sim obrigando a ocupação a implementar o acordo de cessar-fogo, começando pelos compromissos da primeira fase, cessando violações e assassinatos, abrindo as passagens e encerrando a guerra de fome contínua contra nosso povo.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 1 mártir e 16 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 881
• Total de feridos: 2.621
• Total de corpos recuperados: 776
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.773 mártires e 172.723 feridos desde 7 de outubro de 2023.