Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 958

Sob pressão dos EUA e após ameaças de revogação de vistos diplomáticos, o embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, retirou a sua candidatura à vice-presidência da Assembleia Geral da ONU.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 958
Reprodução: AP

Enviado da Palestina à ONU retira candidatura à vice-presidência da Assembleia Geral após ameaças dos EUA

O embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, está retirando sua candidatura ao cargo de vice-presidente da Assembleia Geral da ONU (AGNU) após pressão de Washington, informou a NPR em 22 de maio.

No início desta semana, os EUA ameaçaram revogar os vistos de diplomatas palestinos caso Mansour não retirasse sua candidatura. “Responsabilizaremos a Autoridade Palestina se a delegação palestina não retirar sua candidatura à VPAG”, dizia um telegrama do Departamento de Estado emitido na terça-feira e obtido pela NPR.

O telegrama afirmava que o enviado palestino à ONU “tem histórico de acusar Israel de genocídio”.

“Uma tribuna para Mansour não melhoraria a vida dos palestinos e prejudicaria significativamente as relações dos EUA com a Autoridade Palestina. O Congresso levará isso extremamente a sério”, continuava o documento.

Segundo a ONU, o Líbano está buscando o cargo em vez da Palestina. Uma eleição para escolher um novo presidente da Assembleia Geral da ONU e as 16 delegações que atuarão como vice-presidentes está marcada para 2 de junho.

Em fevereiro, Mansour tentou se tornar presidente da Assembleia Geral, mas retirou sua candidatura devido à pressão dos EUA. Em seguida, passou a buscar o cargo de vice-presidente, antes de desistir pelo mesmo motivo.

Uma pessoa familiarizada com o assunto disse à NPR que “os palestinos agora se comprometem a não disputar o cargo pelos próximos dois anos”, até que o presidente dos EUA, Donald Trump, deixe o cargo.

A NPR observou que a ameaça é considerada sem precedentes, especialmente devido ao Acordo da Sede da ONU de 1947, que geralmente impede os EUA de bloquear a entrada de funcionários da ONU em Nova York.

O ex-alto funcionário do Departamento de Estado Hady Amr disse à NPR que a medida era “extremamente rara”, exceto em casos como espionagem ou interferência eleitoral, chamando-a de “contraproducente” porque diplomatas são necessários “para resolver problemas entre países”.

O Departamento de Estado disse à NPR que leva suas obrigações sob o Acordo da Sede da ONU a sério, mas se recusou a comentar casos específicos de vistos.

No ano passado, o governo Trump revogou os vistos de 80 autoridades da Autoridade Palestina (AP) antes da reunião da AGNU de 2025, incluindo o presidente da AP, Mahmoud Abbas, que acabou fazendo seu discurso por chamada de vídeo devido à decisão de Washington.

Em setembro daquele ano, os EUA suspenderam as sanções contra a Missão Observadora Palestina da ONU em Nova York, mas as mantiveram contra Abbas e outros altos funcionários.

A Palestina possui status de Estado observador não membro na ONU desde novembro de 2012 e, em maio de 2024, a Assembleia Geral aprovou uma resolução apoiando seu pedido de adesão plena.

No entanto, a candidatura ainda requer aprovação do Conselho de Segurança da ONU (CSNU), com tentativas anteriores tendo sido bloqueadas por vetos dos EUA.

Enquanto isso, o Knesset israelense deu um passo importante rumo à anexação de sítios arqueológicos e históricos palestinos na Cisjordânia ocupada, informou o Mondoweiss na sexta-feira.

O Knesset avançou um projeto de lei que colocaria os locais sob autoridade civil israelense direta e efetivamente os anexaria legalmente a Israel.

A Lei de Antiguidades foi originalmente apresentada em 2023 e passou em sua primeira leitura no Knesset na quarta-feira por 23 votos a 14. Agora, seguirá para a segunda e terceira leituras no parlamento israelense antes de ser transformada em lei.

Se aprovada, a lei transferiria o controle das antiguidades palestinas ocupadas da Administração Civil do exército para uma agência civil do governo israelense, “um claro ato de anexação legal em violação ao direito internacional”, observa o Mondoweiss.

Colonos judeus nacionalistas religiosos no atual governo de Israel buscam anexar tanto a Cisjordânia quanto Gaza, alegando que as terras habitadas por palestinos muçulmanos e cristãos indígenas pertencem a eles.

Desde outubro de 2023, os militares israelenses mataram mais de 72 mil palestinos em Gaza e destruíram grande parte da faixa em uma tentativa de abrir caminho para assentamentos judaicos.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 mártires e 27 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 883

• Total de feridos: 2.648

• Total de corpos recuperados: 776

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.775 mártires e 172.750 feridos desde 7 de outubro de 2023.