Entre oligarquias, bolsonarismo e frente ampla: a posição dos comunistas para as eleições no RN
As eleições de 2026 se inserem em um contexto de agudização das disputas imperialistas em nível mundial, que coloca o mundo e a classe trabalhadora em condições de extrema vulnerabilidade econômica, política e social. Em nível nacional, compreendemos que da falsa polarização entre o governo de Frente Ampla lulista e a extrema-direita bolsonarista não sairá uma alternativa real para a classe trabalhadora e os demais setores oprimidos do povo. A Nota Política “Construir a unidade entre a esquerda revolucionária, rejeitar as vacilações ao social-liberalismo”, do Comitê Central do PCBR, aponta qual é a leitura dos comunistas sobre a disputa nacional.
No Rio Grande do Norte, a disputa eleitoral se dá entre três polos que representam, cada um a seu modo, diferentes formas de administrar a máquina capitalista do governo estadual: a candidatura de Alysson Bezerra (União Brasil), a de Álvaro Dias (Partido Liberal) e a de Cadu Xavier (Partido dos Trabalhadores). As três candidaturas têm disputado entre si quais passarão para o segundo turno e em que condições.
À margem dos três principais pólos que disputam o rumo das eleições, existem mais 7 candidaturas registradas, de diferentes matizes, das quais destacamos as 3 do campo à esquerda: Robério Paulino (PSOL), professor da UFRN e ex-vereador de Natal, fazendo parte do palanque de Lula; Dário Barbosa (PSTU), professor aposentado e sindicalista; e Arinalda do MLB (UP), diarista que constrói a luta por moradia.
No campo da extrema-direita estão as candidaturas de Alysson Bezerra, ex-prefeito de Mossoró, e de Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal. Alysson, apesar de se apresentar como um “outsider” da política potiguar, representa hoje a candidatura do retorno do tradicionalismo político norte-rio-grandense e das oligarquias locais e regionais (como os Alves e os Maia). Álvaro Dias, apesar de já ser uma velha figura do tradicionalismo político potiguar, é hoje a candidatura que representa a extrema-direita bolsonarista. Ambos, um em Natal e outro em Mossoró, foram responsáveis por duros ataques à classe trabalhadora do Rio Grande do Norte enquanto prefeitos.
A gestão do candidato bolsonarista Álvaro Dias na Prefeitura de Natal foi marcada por severos ataques à classe trabalhadora e ao meio ambiente, subordinando os serviços públicos e os recursos naturais da cidade aos interesses do capital privado. No transporte público, os trabalhadores enfrentaram o corte de diversas linhas e sucessivos aumentos de tarifa, que chega hoje a R$ 5,20. Paralelamente, a revisão do Plano Diretor impulsionou a degradação ambiental da capital, simbolizada pela obra de engorda da praia de Ponta Negra: um projeto privatista que degradou a orla, tornou um dos principais cartões-postais da cidade um lamaçal em dias de chuva forte, e comprometeu o sustento de trabalhadores locais, como pescadores, barraqueiros e ambulantes.
Em Mossoró, o candidato apoiado pelas velhas oligarquias locais acumula estragos. Investigado por desvios na saúde pública, o ex-prefeito marcou sua gestão por duros ataques aos servidores municipais e aos trabalhadores terceirizados do município.
No campo da esquerda petista, “Cadu de Lula”, ex-secretário da Fazenda do governo Fátima Bezerra e quadro técnico com nenhuma inserção popular, e Robério Paulino (PSOL) representam caminhos distintos. Apesar de suas divergências ideológicas, em que o primeiro se alinha mais diretamente ao social-liberalismo petista e o segundo a uma perspectiva reformista, ambos integram a base de sustentação da Frente Ampla liderada por Lula.
A candidatura de Cadu Xavier aponta para uma continuidade do legado de Fátima em um sentido regressivo e privatista. Além de já ter discutido a possibilidade de privatização da CAERN enquanto secretário da fazenda, para “aliviar as contas” do estado, em recente sabatina da FIERN afirmou não ter preconceitos contra Parcerias Público-Privadas (PPPs). Com o discurso pautado no crescimento econômico, o petista propõe aproveitar o potencial de energias renováveis do estado para sediar data centers. Na prática, a medida reforça a lógica do capitalismo dependente brasileiro, com o país tornando-se um fornecedor de infraestrutura, água, energia, território e dados, sem desenvolver soberania tecnológica, de modo a garantir que as principais potências imperialistas mantenham o monopólio da tecnologia.
Nem a extrema-direita, nem os representantes da Frente Ampla e do governo Lula são capazes de responder aos problemas das amplas maiorias trabalhadoras e exploradas do nosso estado, que só podem ser resolvidos através do fortalecimento de uma alternativa revolucionária e socialista.
Por isso, o PCBR saúda as candidaturas ao governo de Arinalda do MLB (UP) e Dário Barbosa (PSTU) como importantes alternativas socialistas contra o cenário de polarização entre os diferentes projetos de gestão do capitalismo norte-rio-grandense.
Apesar disso, criticamos a falta de diálogo entre os partidos do campo revolucionário no Rio Grande do Norte, que impossibilitou a criação de um programa comum para o nosso estado e de uma candidatura única que pudesse realizar uma campanha de maior impacto para a difusão de uma posição revolucionária — a única realmente capaz de apresentar soluções reais para o sofrimento do povo trabalhador, pois somente ela vai à raiz dos problemas: o capital, o interesse privado dos grandes empresários.
Entretanto, a partir de uma análise programática e de diálogos construídos, o PCBR entende que a candidatura de Dário Barbosa (PSTU) é a que apresenta com maior clareza a oposição à Frente Ampla e à extrema-direita, e portanto decide apoiá-la. O apoio se dará através de atividades próprias de campanha, utilizando o espaço eleitoral como mediação para propagandear o programa socialista do PCBR. Com isso, o PCBR convida os trabalhadores e trabalhadoras do Rio Grande do Norte a apoiarem e construírem, nesta reta final de campanha, a candidatura de Dário Barbosa (PSTU - 16).
O PCBR convida os trabalhadores potiguares a apoiarem também as seguintes candidaturas socialistas e independentes da Frente Ampla para o legislativo: Victor Hugo (UP - 8080) à deputado federal, Thiago Silva (PSTU - 16123), MiIenne Barbosa (UP - 80180) e a Chapa Coletiva da Frente Negra Revolucionária (UP - 80000) para deputado estadual, e Sônia Godeiro (Revolução Socialista/PSOL - 501) e Rosália Fernandes (PSTU - 166) ao Senado.
Seguindo a análise sobre a conjuntura nacional e os mesmos critérios político-ideológicos, apoiamos a candidatura de Hertz Dias e Vanessa Portugal (PSTU - 16) para a Presidência da República.